.leveza do ser.

“Artigo III — Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, 
que os girassóis terão direito 
a abrir-se dentro da sombra; 
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, 
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV — Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. 
Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único: O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo VII — Por decreto irrevogável fica estabelecido 
o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII — Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX — Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo XI — Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII — Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, 
tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes 
e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único: 
Só uma coisa fica proibida: 
amar sem amor.”

Poema “Estatuto do Homem” — Thiago de Mello

Ação social realizada na Praça 13 de Maio, Recife-PE, no atendimento às pessoas em situação de rua, à convite do Departamento de Psicologia da Faculdade Estácio do Recife.

© MirtysiulaCadengue 
Recife, 02 abril 2016.