A reinvenção do rádio e o jornalismo

Ao contrário do que se previu diante do advento cibernético, o rádio foi o meio de comunicação que mais se adaptou em meio às novas linguagens midiáticas atuais, principalmente com a facilidade que se faz notícia por meio deste veículo.

Onde o fato acontece, o rádio está lá e somente sua versatilidade alcança as pessoas de maneira quase simultânea ao acontecimento. Isso é uma vantagem latente do rádio tanto para o comunicador como para quem consome a informação. Isso porque hoje, basta um aparelho de celular para transmitir a notícia, ao contrário do aparato necessário para meios imagéticos como a TV ou dos que requerem edição, concepção e diagramação, como o impresso.

Não obstante tais benesses, o rádio ainda ampliou as possibilidades quando foi incluído em seu leque ferramentas de transmissão como transmissões online, web rádio e podcasts.

Atualmente, a comunicação passa por uma transição, cujos moldes e paradigmas tradicionais estão sendo quebrados face ao fortalecimento do jornalismo colaborativo e à era da “fast info”, em que a urgência muda significativamente a linguagem dos mass media.

Hoje, o foco do rádio também é ampliado não apenas para o factual, mas para os desdobramentos de um mesmo fato. As pessoas desejam saber o que surgiu a partir do fato, o porquê e quem está por trás daquele acontecimento e quais as possibilidades que ele abre ou não.

E é justamente aí que reside o grande desafio do rádio. Apesar de versátil, ele limita-se por não possibilitar tanta sistematização em sua grade e por conter essência audível, cujo texto é simplificado e não conta com apoios visuais e textuais elaborados.

Contudo, o rádio segue firmando seu espaço no jornalismo e passa longe de cair em declínio pois supera suas desvantagens, uma vez que ainda é – dentro do crescente universo das novas tecnologias de informação – a mais portátil, acessível e polivalente maneira de alcançar públicos, segmentados ou não.