O que diz Bauman sobre essa tal modernidade?

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Diante da qualidade do gasto adjetivo atribuído ao que se vive atualmente, a modernidade traz como resultado ‘brainstórmico’ uma série de detalhes que remetem a si mesma. E dentre tais representações sobre o que é moderno, faz-se necessário avaliar como se dá a comunicação em tempos “líquidos”. A começar pelas redes sociais que são as ferramentas mais acedidas e utilizadas diariamente por boa parte das pessoas. Ainda que não atinja a unanimidade (como exemplo de Umberto Eco, que vaticinou que as redes sociais deram voz aos idiotas), é impossível não atribuir o impacto das novas formas de relação interpessoal via web.

O sociólogo Zygmunt Bauman, atribui liquidez ao tempo que vivemos hoje. Fluidez, volatilidade, incerteza e insegurança seriam a marca deste século, em que todos os referenciais morais da época anterior (ou modernidade sólida, como o próprio autor define) se tornaram obsoletos e dão lugar ao imediatismo, ao consumo, ao hedonismo e à artificialidade.

Na interpessoalidade, as conexões predominam. Conexão é o termo que Zygmunt Bauman usa para descrever a fragilidade das relações. O curioso é que em uma conexão, a vantagem não está apenas em estar em várias conexões, mas, principalmente em conseguir desconectar sem grandes prejuízos. A relação frágil tem como pressuposto a coisificação dos humanos, que se tornam descartáveis e excluídos a qualquer momento. Isso porque o sujeito líquido da conexão lida com um mundo de consumo e opções. Só que a própria condição humana é de apego e logo cai numa contradição fria. Portanto, a liquidez causa frustrações e, como já dito, insegurança. O sujeito líquido não tem mais referenciais de ação: toda a autoridade de referência é colocada em si e é de sua alçada construir ou decidir entre as normas a serem seguidas — e melhor que se faça a melhor escolha, com muitas vantagens e, de preferência, nenhuma desvantagem. Na rapidez das conexões, há avidez por ganhos e repulsa pelas perdas.

Todo esse conceito sociológico observa uma nova mentalidade que se funde às instituições e as normas e dita o estilo de vida dos indivíduos, expresso na coletividade: os imperativos de consumo são inscritos naquilo que há de mais fundamental na constituição do sujeito líquido (evidenciado desde como se compra uma camiseta até em como se escolhe um parceiro sexual!).

E o que tudo isso tem a ver com redes sociais? Tudo! Simbioticamente, as redes surgiram tanto da necessidade moderna de um novo molde de relações fluidas e líquidas como surgiram para suscitar novas necessidades. Assim como acontece na vida real, na rede é reproduzido. Do lato ao restrito. A rapidez e a inconsistência das relações... A comunicação rápida e imediatista… Eis aí a ‘cara’ da modernidade!

Mas vale frisar que este conceito de modernidade líquida, fruto da análise de Bauman, não é um conceito correlato ao de pós-modernidade. Na verdade, é um conceito crítico. Para o sociólogo, não há uma pós-modernidade e sim a continuidade da modernidade com pontos diferentes.

“Uma das razões pelas quais passei a falar em “modernidade líquida” em vez de “pós-modernidade” (meus trabalhos mais recentes evitam esse termo) é que fiquei cansado de tentar esclarecer uma confusão semântica que não distingue sociologia pós-moderna de sociologia da pós-modernidade, entre “pós-modernismo” e “pós-modernidade”. No meu vocabulário, “pós-modernidade” significa uma sociedade (ou, se se prefere, um tipo de condição humana), enquanto que “pós-modernismo” se refere a uma visão de mundo que pode surgir, mas não necessariamente, da condição pós-moderna.” Zygmunt Bauman