Livro da vez: Assata Shakur Escritos

Quem é Assata Olugbala Shakur?
Batizada com o nome (de escrava) Joanne Chesimard. É uma das maiores revolucionarias pretas que esse mundo já presenciou, até porque enfrentar a amerikkka dentro dos Panteras Pretas (Black Panthers) e do Exército de Libertação do Povo Preto (Black Liberation Army), não é para qualquer um(a) não. Atualmente é uma exilada política, tendo a cabeça estimada pelo estado amerikkkano. Mas como diabos isso tudo ocorre? A resposta pode estar no blog Assata Shakur ou nesse copilado de poemas, escritos e cartas traduzidos pelo REAJA! (Organização Política Pan-Africanista) denominado Escritos.
Como citei acima, o livro é um copilado de vários materiais da Assata, até entrevistas. Nele ela narra desde suas primeiras experiências revolucionarias até os seus dias mais contemporâneos na ilha latina. Antes dos escritos começarem de fato, há uma explicação do que se trata a campanha “TIREM AS MÃOS DE ASSATA SHAKUR”, que pode ser melhor explicado em assatashakur.org .
Parte I — Poemas
No primeiro momento dessa obra, existe uma serie de poemas da Assata, tocando em temas como mulherismo afrikeana, afrocentricidade, luta do povo melaninado e espiritualidade africana. Abaixo um trecho do poema Affirmation.
Eu vi os dóceis tornarem-se cegos
e os cegos tornarem-se prisioneiros
num piscar de olhos.
Eu andei sobre cacos de vidro.
Eu admiti meus erros e engoli derrotas¹
e respirei o fedor da indiferença.
Eu fui trancafiada pelos injustos.
Algemada pelos intolerantes.
Amordaçada pelos gananciosos.
E, se tem alguma coisa que eu sei,
é que um muro é apenas um muro
e nada além disso.
Ele pode ser posto abaixo.
Parte II — Cartas
Nessa etapa, ocorre principalmente a narrativa que Assata teve durante sua vida. Lá nos anos 60, ela ingressou no Partido dos Panteras Negras pois não teve opção a não ser a lutar contra esse estado que perseguia as pessoas de cor, todavia, os Panteras foram colocados como maior ameaça para o governo amerikkkano, então é obvio que começou a perseguição através do FBI, polícia e outros serviços estatais. Integrantes do Partido eram presos, torturados e dos quais ficaram vivo até hoje, estão em corredores da morte. Isso obviamente de maneira injusta e a Assata foi uma dessas várias vítimas.
Nos anos 70, enquanto estava em um carro com outros militantes (Zayd Malik Shakur e Sundiata Acoli), foi parada por policiais alegando que eram “suspeitos” ( nós sabemos que o crime era de não serem brancos). No final da confusão, Zayd Shakur morreu, um policial foi baleado e Assata também termina baleada em estado crítico, e como se não fosse o suficiente foi presa e tratada como terrorista assassina de policiais. A mídia, o estado de Nova Jersey e o governo nacional faziam de tudo para transforma-la num monstro até absurdos de colocarem nas propagandas televisivas que ela era uma assaltante de bancos dentre outras falácias. Durante o julgamento, tanto o depoimento dos policiais da cena e dos peritos criminais provaram que Assata era inocente, que era FISICAMENTE IMPOSSÍVEL ela ter atirado nos policiais, nem se quer arma ela portava. Mas fatos não venceram argumentos, de um júri composto por pessoas brancas influenciadas (talvez nem precisassem) para tratá-la como uma terrorista. Em seguida houve sua prisão em segurança máxima e sua fuga orquestrada por amigos, até seu exílio em Cuba.
Nessa parte existem outras mil questões, só sintetizei um pouco, para mais detalhes entre em contato com o REAJA! e adquira o livro. Só queria mostrar um adendo, que vai ficar mais claro para quem for ler, por mais que seja obvio sua inocência para o mundo você já nasce culpado e foda-se.
Parte III e IV — Entrevistas e Mulheres na Prisão.
Nessa terceira parte já se trata bem na vida de exilada política que ela tem em Cuba. Ela fala sobre questões raciais na ilha, espiritualidade que ela encontrou lá e como o povo de Cuba vive em um ritmo totalmente diferente da proposta de vida do outro continente. Também detalha mais todo o processo de boicote que ela sofreu para ser condenada mesmo sendo cientificamente comprovada sua inocência, em um golpe que manipula júri, população, mídia. Além de como o estado amerikkkano que não aceita ela sendo exilada até hoje, colocando prêmios por sua cabeça e enchendo o saco de Cuba para “devolverem” (onde nunca pertenceu) ela. Na quarta parte, ela também retorna alguns pontos antigos como sua vida na prisão e como é animalesco esse sistema penitenciário, que priva as pessoas do básico e serve como segmentário do sistema escravocrata, coisas também citadas no documentário 13t da Ava Duvernay.
Minhas considerações
A vida de Assata Shakur é referência para qualquer pessoa preta militante/ativista ou não. Mesmo estando lá em outro país, a vida na diáspora é muito similar, que todas pessoas pretas/nativas da terra vivem num estado de guerra. Que nossa pele carrega alvos visíveis nesse mundo, que se organiza para nos matar desde que pisaram no continente africano ou no “americano”. Há evidencia da auto-organização como postura política é clara, que na diáspora ou continentes todos somos africanos.
Você pode adquirir o livro através de uma promoção ao qual você compra dois e um deles vai para uma pessoa preta que se encontra no sistema penitenciário.
