Uma crônica sobre crônicas

Silvana Maurílio
Aug 23, 2017 · 2 min read

A minha rotina diária é escrever. Trabalho com isso. Quase todos os dias escrevo uma matéria jornalistica e a cada dia que passa, isso vai ficando mais natural. Mas hoje, o desafio era diferente… eu teria que escrever algo que nunca fiz: uma crônica.

Encarei a tela do computador em branco durante bastante tempo. Encarei bastante o relógio também. A cada minuto a menos, o sentimento de “não vai dar tempo” aumentava.

Um gole d’água aqui, uma foto pra fazer ali, uma matéria pra escrever, uma mensagem pra responder… abri meu Instagram e resolvi fazer um stories sobre isso. Quando me dei conta, tinha listado todas as minhas dificuldades quando vou escrever algo.

“A parte mais difícil de escrever: o início” foi a primeira coisa que escrevi. Mas parando pra pensar, essa não é uma das coisas mais difíceis da vida? O ínicio das coisas? Os primeiros dias no trabalho novo, na cidade nova, na casa nova, a dieta que começou… quando a gente pensa que não vai se adaptar, quando os pensamentos de “Será que vai dar certo? Será que valeu a pena?” começam a aparecer e as dúvidas ficam rondando a gente por um certo tempo.

“Encarar uma folha em branco” foi a segunda. Muitas vezes esse foi um dos meus maiores problemas. Começar a escrever. Mas só quando eu não sabia o que dizer. Quando eu não sabia por onde começar. Escrever sempre foi uma terapia pra mim, mas nessas situações ela é meu tormento. E com a vida também não é assim? Coisas que são muito ruins, mas que no fim, são para o nosso bem? Coisas que a gente tem medo de dar o primeiro passo, mas quando dá, se sente livre?

“Quando não se tem foco” a terceira. Tudo chama a sua atenção, menos o que deveria. Tudo parece mais importante naquele momento (principalmente as coisas mais banais).

“Quando a inspiração não vem” foi a última. Você tem que fazer. Mas não faz ideia de como. A cobrança vem, o prazo vai acabar. Pensa. Pensa de novo. Pensa outra vez. Você espera. Acha que a qualquer momento ela vai chegar. Vai bater na sua porta de surpresa, como quem não quer nada. Vai te dar um abraço e dizer que estava com saudades. Que não sabe porque demorou tanto pra vir.

Mas espera… ainda estamos falando sobre escrita?

*Texto escrito para a aula de Jornalismo Especializado.

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