A nebulosidade de uma mente ensolarada

Hoje venho escrever a vocês sobre algo que andei passando pelos últimos meses e creio que um bocado de gente também passa ou já passou, no meu caso, eu chamei de limbo existencial. Percebi que após me acostumar com alguma situação, seja no meu dia-a-dia ou com alguma expectativas que tive em algo que eu queria num futuro próximo ou não, ficava difícil ter uma visão aberta sobre outras coisas, era como se eu colocasse em mim aqueles anteolhos que colocam nos cavalos para os mesmos não vejam qualquer coisa que se aproxime pelos lados ou atrás deles. Parecia que eu ficava viciado em um universo pessoal dentro da minha cabeça que me fazia pensar que nada além daquilo existia, foi a idade das trevas das minhas ideias e convicções. Naquela época, não havia nenhuma alternativa, possibilidade ou nenhum futuro diferente do que eu pensava que poderia sair de mim, só aquele que todas as setas da minha vida me apontava e que eu achava que iria fielmente seguir, mas ai fui crescendo, amadurecendo e querendo tomar outras direções enquanto tentava tirar o tapa olho lateral que me impedia de ver as possibilidades que eu poderia ter se observasse mais o mundo, e então aquele futuro que era tão certo, claro e objetivo começou a ficar nebuloso e ser sobrescrito pelas coisas novas que tive contato. Um dia eu acordei bem cedo e foi num rolar na cama que acabei lembrando desse antigo objetivo que foi desaparecendo e sendo substituído aos poucos por outro, me dei conta que existia um espaço entre essas duas pontas: o ‘’limbo’’ existencial. Mas o que é esse limbo? É aquele momento de transição entre as duas pontas que você fica perambulando mundo e se sente um pouco perdido. Mas é nessa confusão que a gente perde ignorância, trocamos nossos antes absolutos ‘sim’s por vários ‘talvez’ e sempre surgem umas ideias estranhas, algumas até boas e outras nem tanto. E no meio dessa confusão louca, e as vezes solitária, que a gente sente uma coisa que raramente é sentida, por esse momento você é livre, livre para mudar qualquer aspecto da sua vida e ver os efeitos que eles podem causar a curto prazo. Você aprende a caminhar sozinho, tomar decisões sozinho, tira um tempo para você mesmo, saí de casa sozinho e isso é libertador de certa forma. Eu reagi bem ao limbo e ainda não tenho certeza se saí dele totalmente, mas o que me deixa preocupado é se o tapa olho vai voltar alguma hora, pois ainda tento mante-los afastados por algum tempo, até ter certeza do que quero, eu não me importaria de usa-los se estivesse indo a direção certa, mas qual é a certa? enquanto não resolvo isso vou com eles tampando só um pouco das vistas mesmo. E você, já tirou o seu e observou ao seu redor? quem sabe já esteja na sua hora de atravessar o limbo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.