Sobre o dia que eu cansei dos deuses do mundo e criei o meu

Oi, tudo bem com você? Hoje vou me abrir um pouco aqui e relatar sobre o resultado de uma das várias crises existenciais que tive durante essa complicada fase chamada adolescência. Para entender melhor, vou deixar vocês a par do contexto. Então vamos lá.

Fui criado por família católica, ia nas missas e celebrações em casas de amigos dos meus pais, mas nunca me senti conectado da mesma maneira que as outras pessoas presentes no recinto — que sempre estavam falando sobre ser tocado por Deus e sentir a presença do espirito santo, coisa que nunca senti, e esse foi o ponta pé inicial para que as primeiras perguntas questionando surgissem. Então 4 anos atrás, no auge dos meus 14 anos, eu virei um ateu toddynho. Isso, daquele tipo bem chato mesmo. Essa fase perdurou por dois anos, quando houve um crescimento e eu comecei a enxergar religião como uma opção pessoal que cada pessoa aceita pra si como verdade e vive sobre isso. Antes eu achava que todo mundo era um rebanho alienado e cego, ironicamente o cego era eu. Nessa época procurei me informar sobre outras religiões, passei um par de anos debatendo comigo mesmo sobre o que me parecia certo ou errado em tal grupo ou seita e vi que não me encaixava em nenhum. Procurei abrigo na filosofia, mas nem mesmo Kant, Platão, Gasset, Sartre, Kierkegaard, Hobbes entre outros vários filósofos que eu lia não ajudavam a satisfazer minhas questões mais pessoais— mas tenho que agradecer a cada um deles nos outros aspectos que me ajudaram a crescer, foram essenciais em me moldar no que sou hoje.

Era um dia como qualquer outro e a mesa aqui de casa quebrou um pedaço, refiz o pedaço que faltava com arame e amarrei no melhor jeito brasileiro de fazer uma gambiarra, ali eu percebi que quando algo que se põe como quebrado, pode ser consertado de inúmeras maneiras. Eu de certa forma estava quebrado e tinha a crença de ter todas as ferramentas que precisava para me consertar, comecei a anotar o que seria meu Deus ideal saiu o que vou lhes expor abaixo. Mas já deixo avisado que o objetivo aqui não é converter ou desacreditar vocês, ele foi criado apenas para satisfazer minhas dúvidas que são de cunho pessoal, então só estou expondo isso para que se exita alguém que se sinta de forma parecida possa ter um ponta a pé inicial para criar um deus pessoal ou apenas uma maneira diferente de ver o mundo.

Também deixo avisado que essa não é a versão final dele. Como é um Deus particular, posso modifica-lo conforme vou crescendo ou endoidando, então pode ser um dia você me pergunte como ele anda e eu vou dizer que ele chama Robson, ta na praia com a barriga de cerveja no sol e comendo camarão. Então essa ainda não é a versão final — e nem sei se vai haver uma.
Por enquanto vou chama-lo de ABRA.

Vamos lá:
1–Como diz a frase mais célebre de Lavoisier: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, então o ABRA não tem um origem definida, pelo que se sabe ele sempre existiu e sempre vai existir, passando apenas por transformações em seu estado físico e mental.

2-Ele não existe para o resto do mundo, só para mim ou quem quiser acreditar. Entenda que o meu objetivo aqui não é provar se ele é absoluto e automaticamente faze-lo virar lei para todos, ele pode ser considerado meu amigo imaginário.

3-Ele engloba o bem e o mal num ser só.

4-Não é onipresente, mas atende quando eu chamo

5-Não é onipotente, mas tem algum poder de me ajudar quando realmente preciso

6-Tem um limite de ajuda, uma por dia. Se eu fizer algo que ele julgue errado eu perco o direito a essa ajuda.

7-Não é onisciente, mas ta fazendo um tour pelo universo para adquirir aprendizado e me vê como um rato de laboratório do seu estudo

8-O meu proposito é ajuda-lo a ser um deus melhor vivendo e passando por todas as experiências proporcionadas

9-Não existe céu ou inferno, depois que eu morrer já era. Como dito na frase do item um, após a morte eu não sou recriado em outro lugar como um céu ou inferno, e sim deixo de existir, às moléculas do meu corpo são decompostas pela natureza e passam a integrar outras coisas — como tem sido nos últimos bilhões de anos.

10- Aceita que eu conte sobre, mas não aceita que eu force ninguém a acreditar já que é algo pessoal.

11-Quer que eu viva por meio da razão e do pensamento critico, a única brecha para essa lei é na que diz sobre acreditar nele.

12- Não tem sexo definido, a imagem dele é o que eu imaginar.

13-Um dos poucos mandamentos é não morrer com a consciência pesada por ter feito algo ou não. Nada é tao ruim que não possa ser perdoado.

14-Não fomos criados por ele já que ele só nos encontrou no meio do espaço e decidiu nos acompanhar para aprender.

Ainda tem mais uns itens para colocar aqui, mas ainda tenho que ruminar mais sobre eles, no básico é isso.

O pássaro luta para sair do ovo. O ovo é o mundo. Aquele que nasce deve destruir um mundo. O pássaro voa até Deus. O nome desse Deus é Abraxas” Hermann Hesse, Demian”
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