A diferença entre Descriminalizar e Ser a Favor

Ás vezes me pergunto se é ignorância ou hipocrisia que algumas pessoas confundam o sentido de Descriminalizar com Ser a Favor.

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Ser a favor da descriminalização do aborto não é a mesma coisa que ser a favor do aborto ou contra a vida.

Criminalizado ou não, o aborto existe. E digo mais: sempre existiu e nunca vai deixar de existir. Simplesmente porque somos humanos, somos falhos, ainda em processo de evolução.

Uma mulher que toma essa difícil decisão precisa ser amparada, precisa ser ajudada. Essa mulher precisa e tem o direito de passar por consulta médica, por psicólogos, por um assistente social, pois são esses profissionais que irão ajudá-la nesse momento tão difícil de sua vida.

Só que todo esse processo de ajuda não existe porque abortar é crime e ponto. E por ser crime não pode ser mencionado, não pode ser debatido, a ajuda não pode ser buscada, tudo é feito no escuro, no submundo dos criminosos, bandidos de alma, assassinos. O crime torna toda a coisa ainda pior do que já é.

Tudo o que a criminalização faz é “ajudar” clínicas clandestinas a seguirem com o procedimento sem qualquer segurança em termos de procedimento médico, higiene e método, além de seus lucros só aumentarem, já que por ser crime não há nenhuma regulação nem informal, economicamente falando. E, dessa forma, nem estatísticas reais nós temos de quem são essas mulheres que agem no afã do desespero e nem onde estão essas clínicas que se aproveitam do desespero alheio, muito menos os pais desses filhos abortados — muito embora seja a mulher quem vai lá expor o seu corpo à faca, o que está lá dentro é metade dela e metade de outro.

Descriminalizar o aborto pode evitar muito mais abortos do que incentivar. Uma vez que os apoios médico e psico-social poderão ser feitos às claras, à luz do dia e, ainda, como antídoto educacional para que novos casos não ocorram. Muitas mulheres podem desistir do aborto ao se verem rodeadas de ajuda, porque não são as bem amparadas que se sujeitam a qualquer “açougue”.

Vamos abrir um pouco mais os nossos olhos e nossos corações e parar de apontar o dedo pra essas mulheres chamando-as de Criminosas e vamos nos preocupar de fato com a sociedade e ajudá-la a se desenvolver despidos dos nossos dogmas, nossos preconceitos.

Num país de maioria cristã, as pessoas se esqueceram de que Jesus livrou uma mulher do apedrejamento, por que raios nos sentimos no direito de apedrejar o outro?

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