Umbilical

Quem percebe de anatomia sabe, melhor do que eu, que não existem dois corações iguais. E ainda assim não nos espanta nem atrapalha a ideia de dois batimentos cardíacos a um único ritmo, síncronos, entre dois seres humanos distintos. É como uma tautologia de bom senso, e ainda assim tão deslembrada, oculta de si própria.

Debaixo de alguma ferrugem de lugares comuns, encontramos uma noite de sentidos que é moinho de consciência, a preparar o sustento e o encaixe das nossas experiências desconexas. Como que a “sangue frio” resgatamos o lugar único e insubstituível da genuinidade: a presença de quem nos é próximo.

Mais do que empatia feita melodia de comunhão, espreitamos aqui a oportunidade e o risco de encurtar o nosso espaço de conforto; ficamos abertos ao sorriso sincero, e também expostos à lágrima e à cicatriz, mas com a certeza de receber de volta uma arraigada semente de superlativo das nossas “histórias de vida”.

São conjugações do verbo acreditar, porque desde o primeiro fôlego compreendemos que somos feitos de carne, com vísceras que suspiram pelo divino.

Quando, num gesto de compreensão, alguém nos recorda a harmonia altruísta da existência, despertamos a nossa ligação com o alto qual relação umbilical, de facto, de substância materna.

No olhar das velhas sabedorias de outrora, antevemos o compasso dos sonhos e esperanças do criador, em contemplação ao acolhimento divino que apenas no amor tem expressão plena. Ao partilhar a nossa humanidade, somos entrelaçados do carinho do eterno e embrulhados no seu manto protector. Aquele que nos acolhe, eleva-nos, num único movimento e num gesto sereno, sem tempo limite e sem condições, muito além dos nossos horizontes: rumo ao homem total.

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