Carta ao amigo carioca

Você não sabe
Mas só me descobri peixe
Depois da seca de muitos anos

Para você o mar é sobrenome 
E é cheiro
salgado
grudado na pele
Inseparável

O tal mar de possibilidades

Amigo, me deixe falar

Espere, 
Sei de suas mazelas
Podemos deixá-las por um 
momento?

Meu percurso até aqui foi longo
Devagarinho
Sem intimidade
Estranhos

Aquela linha azul sem fim
A banguela sorridente
A janela escancarada para o mundo

O tal mar de possibilidades

O outro lado
O que vamos conhecer
Sobre o qual sonhamos

Amigo, sente-se aqui na areia
Olhe bem,
A hipnose do vai e vem
das ondas e das gentes

Você é o mar.