
Qual é a meta da vida do ser humano?
Segundo Clara Feldman, a resposta a essa pergunta é respondida pela expressão de Kierkegaard, “ser o eu que se verdadeiramente é”. Mas o que impede as pessoas de serem aquilo que verdadeiramente são?
Bem, o cinismo poderia responder essa questão.
A filosofia cínica têm como expoentes Antístenes e Diógenes de Sinop. Cinismo deriva da palavra grega que equivale a cão. Uma das explicações para que a referida escola de filosofia se chame assim, é por conta de seus praticantes seguirem um modo de vida averso ao luxo e as conversões sociais, assim como os cães.
A doutrina do cinismo defendia que a causa dos falsos juízos, vícios, emoções, pensamentos negativos e apego provinham da nebulosidade, isto é, da arrogância. Podemos interpretar a arrogância como ideias erroneamente supervalorizadas sobre si mesmo e ao que se possui, de certa forma, é a ignorância e o desgoverno de si. A nebulosidade se torna densa quando nos desconhecemos e encobre o sol, o qual simboliza as ideias adequadas e os fatos.
Para sermos felizes, segundo o cinismo, é necessário desenvolver a autarquia (exercício do governo de si), a ausência de emoções densas, e o exercício das virtudes. Para se chegar a autarquia, os cínicos se empunham um conjunto de práticas as quais eram incompatíveis com a arrogância, para assim desmanchar a nebulosidade. A reflexão de Diógenes me lembra que, por muitas vezes, o nosso verdadeiro eu não se manifesta por conta do apego que temos sobre nossa própria imagem e ao que possuímos, nos tornando frequentemente cativos dos juízos alheios.
Libertar-se das opiniões dos outros é uma forma de governar a si mesmo e de ser verdadeiramente realizado.
Diógenes possuía uma lanterna com a qual dizia procurar por alguém honesto. Bem, acredito que essa pessoa seria quem de fato era honesto consigo mesmo, alguém que entendia na prática a resposta de Kierkegaard para o questionamento sobre a meta da vida.
