Munik, jornalismo não é coisa pra gente burra!

Olá, Munik

Quem te escreve é uma jornalista. Em um dos episódios da 16ª edição do Big Brother Brasil você disse à sua colega de confinamento Ana Paula que optou por jornalismo em vez de medicina “porque não é inteligente”. Eu gostaria de ressaltar apenas uma coisa neste texto: Jornalismo não é pra gente burra. Você está trancada em uma casa há menos de uma semana, mas parece desconhecer fatos que ocorreram antes disso, que marcaram a história da humanidade por meio do trabalho jornalístico, desempenhados por profissionais muito inteligentes.

Agora mesmo está em cartaz o filme “Spotlight: Segredos revelados”, baseado na história real de um grupo de jornalistas em Boston que reuniu documentos capazes de provar que crianças sofriam abuso por padres e os líderes religiosos ocultavam os casos ao invés de punir os responsáveis. Talvez você não tenha visto porque está envolvida com o reality, mas assim que sair daí, sugiro que assista. O filme não é muito bom, mas a história vale à pena. Para conseguir revelar a sujeira escondida debaixo da batina dos padres, os jornalistas tiveram que enfrentar a poderosa igreja católica, vasculhar documentos e a história das vítimas, montar o quebra-cabeça até conseguir publicar a matéria final.

Como você deve saber, o apresentador do BBB, Pedro Bial, também é jornalista, formado em Comunicação Social pela Puc-Rio, em 1980. Em uma trajetória profissional marcante, Pedro Bial conta em seu currículo com a cobertura da transformação do socialismo real, acompanhou a reunificação da Alemanha, as guerras do Golfo e da Bósnia, e o fim da União Soviética, vendo de perto a queda do Muro de Berlim. Pra mim, só uma pessoa intelectual consegue desenvolver algo desse nível de importância na história.

Eu poderia citar vários outros fatos do jornalismo que mudaram a trajetória do mundo, mas o texto ficaria muito extenso. Porém, não posso deixar de citar o caso Watergate, quando em 1972 as matérias dos repórteres do jornal Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, conseguiram derrubar o presidente Richard Nixon da Presidência dos Estados Unidos.

Não muito longe, em termos de espaço e tempo, os brasileiros presenciaram em 1989 a escolha do primeiro presidente eleito pelo voto direto, após 29 anos de um lapso democrático, com a eleição de Fernando Collor de Mello apresentado pela maioria dos veículos de comunicação do país como o eleito para modernizar o Brasil, o caçador de marajás e corruptos e que acabaria com a inflação. Três anos depois, a mesma imprensa que o ergueu, o derrubou. Collor foi afastado em um processo inédito de impeachment aprovado pelo Congresso contra um presidente do país.

Um setor tão forte quanto a mídia não pode ser feito por gente que não é inteligente.

Medicina é realmente uma profissão bonita e deve ser desempenhada por profissionais capacitados, que se dedicam por anos para cuidar dos pacientes. Porém, o jornalismo não fica atrás. Buscar a melhor versão possível da verdade pressupõe persistência, coragem e inteligência. Temos na ponta dos nossos dedos ou da língua, a vida das pessoas, contamos suas histórias e até corremos o risco de destruir sua vida.

Pode parecer utopia, mas quem escolhe jornalismo é porque tem amor à profissão, e não por falta de inteligência. Pense bem, e se mesmo depois de tudo você optar em ser jornalista, será bem-vinda. Você é nova, tem muita coisa para aprender!

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