Lenço e vento

O tempo e a maturidade ensinam que o ideal não é viver um dia e, sim, um momento por vez.

Deste modo, deixamos as ânsias e medos para outra hora, desfrutando de cada fragmento de vida em sua individualidade.

Eternizando apenas o que realmente valha a penúria, a luta e as linhas de expressão.

E no mais, bem, no tempo exato as coisas se ajeitam, se acertam, se encaixam.

Se desespero resolvesse algo, nos faríamos reféns do mesmo.

Calmaria é a palavra de ordem para a vida.


Lenco e vento – Cicero Gonçalves

Deixei meu rancho na serra

Os galos tecendo a manhã

Risquei o baio de espora

Na aurora cor de romã

Meu lenço pegou poeira

A mágoa dos meus punhais

Depois que bati a poeira

Não era o mesmo rapaz

Viola amarrada com fitas

Folias que eu quero mais

De lenço e vento eu entendo

Pois são os meus madrigais

Vou amarrar esperança

No vento dos roseirais

O pranto com jeito se amansa

Nestas veredas de paz

Faço da espora uma estrela

Na tarde que se desfaz

Faço da noite uma esteira

Bandeiras dos festivais

http://youtu.be/oErfm8TyCzw


  • Ao procurar por uma imagem para enriquecer o texto, encontrei uma música com o mesmo título e que remete a exata sensação de vivência, esperas, suavidade e sabedoria do tempo que busco proporcionar com a leitura do texto. Confira!