Ódio-Próprio

Você me odeia?
Eu te entendo. Eu me odeio também.
Cada passo que dou, rumo a estrada que o destino me concedeu, é cheio de amargor.

Sabe? Eu não sei como conviver comigo mesma. Não mais.
Já tentei de tudo. Maquiar a auto-estima. Fazer terapia para aquietar as brigas de meu ego com o super-ego. Caridade. Exercícios. Drogas. Amor...

Nada parece resolver. Vira uma mistura heterogênea, sempre o mesmo sabor, insípida.
Não teve bons resultados.
A única solução que me fez pelo menos não me auto-destruir, foi uma dose de apatia com gotas de conformismo. Melhorou um pouco a dor de me levantar todas as manhãs. Me ajudou a enfrentar um dia de cada vez, porque não importava o quão ruim estava sendo, nada me surpreenderia, ou me afetaria. Eu estaria blindada. Protegida na minha carapaça. Aprendi a não me entristecer quando estivesse com insônia. Não ficar amarga quando não se lembrassem de me convidar para algum evento. Não enfurecer quando for ignorada. Ser completamente esquecida está sendo um benefício.

Não conseguirão silenciar o que já não diz mais nada. Não machucarão quem adormeceu suas terminações nervosas. Não afetarão quem congelou o próprio coração.

Os que escolheram não mais sentir, são os mais traumatizados.
Então, ainda me odeia?
Pode continuar me odiando.
Eu não me importo.
Não mais.

_Era flor, mas escolheu ser pedra. Assim, ninguém arrancaria suas pétalas._