Sem medo de errar

Acho que finalmente perdi o medo de me expor. A insegurança começou a desaparecer, quando comecei a perceber, que o medo que persistia, era o medo de ERRAR. O medo de me tornar desacreditado se fosse considerado leviano e pouco sério, nas coisas que escrevia, quando viesse a publicá-las. Dessa forma me tornei excessivamente autocrítico, bissexto, passei a escrever muito pouco, só ocasionalmente, e jamais publicava o que fazia, mesmo tendo o blog disponível desde o fim do ano de 2009. Entendi que escolher não publicar o que escrevia, mesmo ocasionalmente, era também uma forma de enrustimento, medo de me mostrar, de me expor, uma forma de permanecer num armário existencial, similar ao que ainda vejo em certos amigos, que tem medo das redes sociais, por conta da exposição exagerada de seus nomes expostos na rede para quem quiser ver. Uma amiga chegou a dizer, que estar no Facebook, era como se estivesse expondo o traseiro na janela, correndo o risco de ser enrabada a qualquer momento, por não se sabe quem. Hilária imagem. Como preferi olhar no sentido e na direção de outros amigos, que são o oposto dos excessivamente reservados; olhar para quem não tem mais o menor receio da exposição, porque já estão a fazer, e a produzir seus trabalhos há muito tempo. E como necessariamente precisam divulgar os trabalhos, e que para isso, de um jeito ou de outro, tiveram que mandar o medo para o cacete há muito tempo. Estão todos portanto, produzindo em diferentes áreas, e são mais felizes, do que os amigos mais reservados e ainda receosos em se mostrar. Então não tive dúvida, que esse era o melhor caminho, que nunca é tarde para mudar o rumo. E entrei de cabeça nessa rota, estimulado, em parte, pela desonesta campanha política pela queda da presidente. Comecei a produzir textos em profusão, quase que diariamente, que depois de rapidamente lidos e editados, publico imediatamente no blog, e de acordo com o conteúdo, também compartilho no Facebook. Uma ocupação que dá um pouco de trabalho, sem dúvida, mas é um trabalho gostoso de fazer, e prazeroso. Foi assim, que nunca publiquei tantos textos em tão pouco tempo, só esse ano de 2016, desde o início do mês de janeiro, já foram mais de quarenta textos publicados no blog, além dos comentários em posts de terceiros, e nem tudo foi apenas sobre política. E o mais importante a considerar, é que, diferentemente de antes, quando criava enormes expectativas sobre o resultado, o desdobramento que viria a seguir, os comentários dos amigos ou não. Dessa vez, não ignoro comentários quando surgem, mas não são mais definitivamente fundamentais. Tenho como certo agora, que o fundamental é continuar produzindo, escrevendo e publicando. O que vier a partir dos textos será consequência de um fazer, sem criar mais grandes expectativas no aspecto do reconhecimento, medo de errar e outras bobagens do gênero. A ordem agora é publicar e publicar. O mais importante é fazer. A única coisa que ainda acompanho é o número diário de leitores, através do contador do blog, e eles estão aumentando gradativamente, tanto aqui como no exterior, onde os países com mais leitores são EUA e Alemanha. Agora para isso, tenho ciência, que se quiser turbinar o número de leitores, será preciso um trabalho mais sério de divulgação, que penso mais tarde terceirizar. Descobri também, por outro lado, que em tempos de internet, onde as informações fluem de forma muito rápida, tudo flui, quase nada se fixa por muito tempo, passei a relativizar um pouco o que é dito, escrito e publicado. Também sei, que há também algum risco, porque quando “algo” pega, vira meme e cola nas mentes, é foda! Mas no geral, tudo passa ligeiro e veloz. Há quem associe a esses loucos tempos de net, a questão do tamanho da mensagem, sempre ouço o mantra, de que o texto precisa ser diminuto, quanto menor e sintético melhor. Mas de uns tempos para cá, venho notando uma leve mudança, que o bicho não é tão feio como pintam. Eu mesmo leio os meus posts do blog no celular, de vez em quando, e dá para ler numa boa, são legíveis apesar do pequeno tamanho da tela. Então não é bem assim, os meus textos não são curtos, só muito raramente, e mesmo assim, tenho leitores. Há público para tudo, até mesmo para textos maiores e mais profundos. Então, por que desprezar essa oportunidade? Sem medo de errar!