(Parte 2) Desenvolvimento, pobreza, beleza, vitória: as várias nuances de um Pará que precisa ser explorado

A apenas três horas de carro de Belém, a capital do Estado do Pará, a professora Edna Ponzi, 51 anos, saía de manhã cedo para caminhar ou pedalar com uma bicicleta alugada. O hábito fortalecia a sua saúde. Na primeira semana em que praticou o exercício, foi surpreendida por mulheres desconhecidas que batiam à sua porta querendo acompanha-la. E quando já estava em seu percurso, ouvia homens gritarem: vai trabalhar!, vai pegar enxada!. Surgiu um boato de que ela estava “mexendo com a cabeça das mulheres”.

Após a confusão, ela descobriu: as mulheres que praticam exercícios físicos na comunidade São Pedro, na zona rural de Ipixuna, são as “mulheres da vida” que querem cuidar da beleza. “Mulher de verdade” pode no máximo jogar futebol, mas toma banho de igarapé de roupas, vai à igreja, não usa short curto. A situação foi apenas uma das inúmeras diferenças culturais que Edna Ponzi vivenciou dentro do seu próprio Estado, como professora do sistema de ensino modular (SOME), em que educadores da rede estadual moram em várias localidades (entenda como este sistema funciona).

Além de Ipixuna, ela já esteve em comunidades dos municípios de Placas, Rurópolis, Novo Progresso, Altamira, Itaituba, Tomé-Açu e Aurora do Pará. Conheceu ribeirinhos, quilombolas, indígenas, nordestinos, sulistas e gente de outros países da América do Sul. Em cada lugar, escolhe passar seu tempo entre os moradores para conhecer seus hábitos — atitude que, segundo ela, não é tomada por todos os professores, que muitas vezes permanecem isolados nas casas oferecidas pelo Estado.

(Continuação)

Descaso
 

 É sabido que existe descaso por parte do governo com as chamadas “populações tradicionais”, que vão desde os índios até os quilombolas e ribeirinhos. Mas enquanto professora do sistema módulo, a própria Edna também foi desrespeitada pelos funcionários da prefeitura. Em Aurora do Pará, dando aula para os Maracaxi, ela ouviu da secretária de educação do município “leva na costa!” quando foi buscar materiais didáticos para levar para a tribo, em alusão à maneira com que os índios costumam fazer carregamentos. Nos municípios em que trabalhou havia muitos conflitos quanto à competência do Estado e da prefeitura em assumir gastos como o da merenda e do transporte. “Aí os alunos dão o jeito deles, andam quilômetros e quilômetros com fome, e ficam às vezes até 22h na sala de aula.” Sem contar o desconhecimento de funcionários do governo de como funcionam essas comunidades, principalmente as tribos. “Eu fiz a Primeira Conferência Indígena do município, levei prefeito, alunos da cidade de Aurora pra lá, os alunos tiveram o primeiro contato com os índios. Mas eu via que a prefeitura só queria foto para botar no site, pra dizer: aqui tem índio!. Mas o comprometimento com a educação deles, não tinham”, reclama.

Enquanto que a placa de “área proibida” tinha a sua serventia garantida pelos Tembé de Tomé-Açu, em Aurora eles não tinham terra demarcada e nem sequer eram reconhecidos como índios: “eram tratados como pessoas comuns, embora vivessem isolados e sem apoio. A terra era do governo”. Indignada com o tratamento dispensado a seus alunos, ela comenta um caso presenciado em Aurora: os membros da secretaria de educação do município entravam na aldeia para fazer piqueniques, no maior estilo de um passeio de domingo, “como se a reserva fosse uma praia ou uma coisa espetacular”. Consumiam bebidas alcoolicas, o que é proibido dentro de uma aldeia, e ainda ofereciam para os índios. Ao saírem, deixavam as latinhas penduradas nas árvores, parecendo árvores de natal. “Aquilo pra mim foi ridículo, horrível. É um exemplo total de desconhecimento do que é educação indígena. As pessoas são altamente incompetentes, alocadas por meios políticos e não têm preparação para nada. Por isso que nada acontece nesse país”, desabafa.

Do outro lado do Pará, na região sudoeste, Edna Ponzi seria muito incentivada — a desistir: é que segundo ela as funcionárias dos órgãos de Educação do município de Itaituba tinham aversão aos professores que chegavam de Belém. Ao invés de enxerga-los como uma ajuda, eles achavam que os professores tiravam as vagas das pessoas de Itaituba. Por isso, quando chegou lá em 2014 (foi seu segundo módulo, entre 2014 e 2016), Edna ouviu que não conseguiria se adaptar ao local e percebia que os comentários eram fruto do preconceito: “achavam que só porque eu vim da capital eu sou cheia de frescura. Eu respondia que já morei numa casa com vários morcegos dentro, já tô acostumada e que eu gosto de trabalhar com isso, pois a minha especialização é em educação no campo”, explicava. Afrontadas, elas se vingaram: enviaram Edna para o local mais distante possível: o município de Novo Progresso, na fronteira com o Estado do Mato Grosso.

Mulheres e crianças
 

 Sabotagens (e transferências) como essa são bem mais fáceis quando o professor é contratado, e não concursado. Por isso ela foi, mas as funcionárias “quebraram a cara”: Edna disse que o que era para ser uma punição, foi um dos melhores lugares em que já trabalhou: Novo Progresso é um município cuja população veio do Sul do Brasil, havendo muitos descendentes de italianos e alemães.Tanto na sede do município quanto nos seus distritos em que ela esteve (Alvorada da Amazônia e Vila Isol KM 1000) a direção das escolas era organizada e disciplinada, os prédios das escolas eram bem estruturados, nas salas havia ar-condicionado, os alunos eram preparados, os professores eram respeitados e a cidade era bastante desenvolvida para os padrões paraenses. “Nem parecia que a gente estava no Pará!”, sorri.

História da Vila Isol (Foto: Projeto Doadores de Memórias) — A ocupação do km 1000 (ou “Mil”) se deu entre as décadas de 1970 e 1980, quando o governo militar quis integrar o território brasileiro atraindo trabalhadores de terra dos três estados da região Sul. Assim, eles migraram para as margens da recém-construída BR 163, a Cuiabá-Santarém (em cujo km 1085 fica o município de Novo Progresso). O objetivo desta estrada, além de aumentar a população do seu entorno, era de facilitar o transporte de grãos para o mercado externo.
Desejosos de reproduzir as mesmas técnicas agrícolas da terra natal, os colonos se surpreenderam com o clima chuvoso e de longas secas típico da Amazônia. Eles também tiveram dificuldades para vender seus produtos. Mesmo assim, muitos continuaram no local e o distrito se expandiu, principalmente com a construção do primeiro posto de saúde. Os primeiros moradores tinham os sobrenomes Ronska, Schneider, Selzler, Tomaze e Zuchinalli, dentre outros. Apesar de produzirem seus próprios alimentos, muitas famílias precisavam comprar comida no Mato Grosso.
Ainda na década de 80 a vila Isol receberia muitos imigrantes por causa da descoberta de ouro na região. Assim, o Mil ganharia ruas, estrada asfaltada (antigamente, levava-se até 7 horas de viagem no período chuvoso), energia elétrica e comércio. O município de Novo Progresso, onde fica o distrito do km 1000, se emancipou de Itaituba no dia 13 de dezembro de 1991 por meio de lei estadual. Quando se emancipou, Novo Progresso tinha um pouco mais de 5mil habitantes. Em 2010, já tinha mais de 20mil moradores.
Devido à influência sulista, os habitantes de todo o município festejam o Tiro do Laço, tradição em que o vaqueiro tenta laçar as orelhas de um boi. Há outra festa municipal chamada “Costelão”, realizada todo dia 1º de maio, em que é oferecida carne de graça.

Claro que lá ela também se deparou com comportamentos curiosos: ela saía para bares, e nas conversas sobre namoro e homens, estranhava quando as mulheres comentavam quanto valia o corpo delas. Como assim? É que essa região teve exploração de ouro no final da década de 80, então a cultura garimpeira é muito entranhada por lá. Por isso, corria o pensamento de que o homem deveria sustentar a mulher desde o primeiro encontro. “Elas me explicavam que não era prostituição. Mulheres comuns, ‘da sociedade’, escolhiam o homem com quem queriam sair. Falavam: eu não saio por menos disso!. Nos bares, a própria cerveja que bebiam não era paga por elas, pois as mulheres andavam de mesa em mesa dizendo: fulano, paga uma para mim. E ficavam a noite toda com fulano, siclano pagando pra elas.”. Às vezes, eram eles que começavam, oferecendo uma bebida. Aconteceu isso com Edna, que depois que entendeu o que se passava, recusou. “Eu fui ver que no final da noite era como se eu tivesse a obrigação de deitar com aquele homem. É aquela história: ah não, eu te paguei a noite inteira, agora tens que ficar comigo!.”

Mas isso acontecia com todas as mulheres? “Claro que tem exceções: aquelas que trabalham. Mas a maioria que eu conheci queria um bom casamento com um fazendeiro ou garimpeiro, pois eles que proporcionam a riqueza na comunidade. Era difícil elas terem incentivo para irem à luta e terminarem o estudo, se aventurando muito em função do que o homem pode proporcionar em termos materiais: pagar roupa, sapatos, festas.” A professora achou tudo isso muito “esquisito”, mas conta que lá isso é normal. “É muito diferente do que a gente está acostumada na capital”.

A diferença da sua visão de mundo enquanto mulher para as das inúmeras moças e senhoras que conheceu em suas viagens foi muito mais comentado do que o que ela reparava nos homens. Por exemplo, ainda na região do sudoeste, ela chegou no município de Rurópolis para dar aulas em uma comunidade do km 112. Sempre que andava pela rua, cumprimentava os transeuntes com um “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”. Mas somente homens lhe respondiam. Conversando com uma menina que tomava conta da casa dos professores do módulo, ela acabou confessando: “poxa, me sinto tão mal aqui, eu falo com todo mundo e as mulheres não me respondem!”. De repente a menina mudou o tom de voz: “ah, professora, sabe por quê? Vou lhe falar aqui pra senhora: a senhora é uma ameaça pra elas. Aqui só tem maranhense e cearense, e os homens dizem que as paraenses são boas de cama. Então quando chega uma paraense pra cá, todas ficam com medo de perder seus maridos!”. A explicação foi recebida em tom de compreensão: “a gente vai aprendendo a lidar com essas coisas. Cada lugar é diferente, e isso dentro do Estado do Pará”, me ensina.

Edna com seus alunos do sudoeste do Estado.

Ao mesmo tempo em que essas histórias são curiosas, causam preocupação com o quanto é difícil ser mulher no interior do Pará. No primeiro município citado nessa matéria, Ipixuna, além do caso de ser estranho alguém do sexo feminino praticar exercícios físicos, a situação se revelava mais puritana ainda quando a professora conversava com os alunos: em um trabalho de História para meninos do 6º ano (a antiga 5ª série) da comunidade ribeirinha de Cipoteua-Foz (à beira do rio Capim), Edna pediu relatos sobre o estilo de vida deles. Muitos contaram que os pais não os deixava namorarem, pois sentir desejo era algo pecaminoso. Até aí nada de muito diferente do que podemos ver em algumas famílias da cidade grande. Mas veja como eles resolviam o problema: meninas recém-saídas da infância pulavam do primeiro beijo para a primeira transa, fugindo com o namorado tão imaturo quanto elas, e retornando ao lar grávidas. Aí não havia mais jeito: teriam que morar juntos, e o garoto trabalharia para sustentar a nova família. “Embora ficasse a vergonha para a família por terem feito algo errado, passavam-se uns meses e estavam assumidos como marido e mulher. Então o casamento de verdade, o sonho de menina, lá não existe: pulam-se as etapas do sentimento adolescente, é uma questão de querer sentir desejo e prazer”, a professora fala.

Quando morou em Cipoteua-Foz, Edna dormiu dentro da escola. Apesar de ela ser “bonita e estruturada”, não tinha alojamento para os professores do módulo, então eles precisaram desmontar várias coisas da biblioteca para transforma-la em quarto. Ela passava dois dias nesta escola e três em outra. Na escola em que ficava por dois dias, interagia com os moradores das dez casas à beira do rio mais os quilombolas das redondezas.

Foi assim que conheceu um menino de oito anos que não era seu aluno, pois era do ensino fundamental I, e me contou que a sexualidade precoce não era a única situação a que estes menores de idade estavam sujeitos: a irmã dele apanhava com frequência do seu marido. Um dia, o menino viu o cunhado praticamente matando a esposa, e indignado com a inércia das outras pessoas, ele teve a iniciativa de buscar a espingarda de seu pai e balear o homem. Não o matou, mas conseguiu atingi-lo. O cunhado foi hospitalizado e depois a irmã se separou dele. Quanto ao menino, fugiu depois que cometeu o crime e a polícia decidiu não fazer nada com ele. O garotinho vive como nômade, e se tornou um herói na comunidade por não ter sido preso. “Todos (as outras crianças) se espelhavam nele e achavam que também podiam pegar numa espingarda.” Apesar do lugar ser relativamente perto da capital Belém, é baixo o número de policiais, soldados e delegados, tornando-se natural fazer justiça com as próprias mãos — infelizmente, uma característica já considerada “típica” quando se fala do interior do Pará.

Outra comunidade ribeirinha: Crepurizão, lugar garimpeiro próximo à Itaituba. Foi o módulo mais recente da professora.
Outra comunidade ribeirinha: Crepurizão, lugar garimpeiro próximo à Itaituba. Foi o módulo mais recente da professora.

Tentativas de reversão desse quadro
 

 Nem é preciso cair no pieguismo do quanto estas realidades seriam diferentes se houvesse mais investimento em educação. Disso todos sabemos, e Edna enquanto professora faz o que pode para dar a sua contribuição. Além de sempre pedir redações ou relatos verbais com a biografia de cada aluno, ela procura adaptar tudo o que ensina ao modo de vida do seu público: sua avaliação, por exemplo, é holística.

Se um lugar não tem luz elétrica ou não tem bibliotecas, ela não pode esperar que um dever de casa saia brilhante, mas acrescenta pontos quando alguém se esforçou para fazer uma capa para o próprio trabalho. Se a turma é cheia de analfabetos, na cartilha usada para o ABC a letra “A” vira “A de Arco e Flecha” e não “A de Avião”, a letra “C” é “C de Canoa” e não “C de Carro”.

“Não é todo professor que vai dedicado assim: a maioria finge que trabalha, passa um dia e vai embora. Tem uns que dizem que estão ali só para trabalhar, que não têm que viver com a comunidade. Acho errado, se tu tens que trabalhar com o aluno, tens que conhecer a vida dele. Não é o aluno que tem que se adaptar ao professor, é ele que tem que se adaptar ao aluno”, opina, e emenda que é por causa desse tipo de funcionário que ela é contra o concurso público, pois segundo ela a maioria dos professores relapsos chegaram ali através de uma prova e se apoiam nas suas garantias. “Mas na situação atual, já estou mudando de ideia, porque é preciso fazer (um concurso)”, lamenta.

não é todo professor que vai dedicado assim: a maioria finge que trabalha, passa um dia e vai embora. Tem uns que dizem que estão ali só para trabalhar, que não têm que viver com a comunidade. Acho errado, se tu tens que trabalhar com o aluno, tens que conhecer a vida dele. Não é o aluno que tem que se adaptar ao professor, é ele que tem que se adaptar ao aluno.

Atualmente se fala na substituição do sistema modular pelo sistema mundiar, uma espécie de curso EaD que seria transmitido para todos os lugares com o suporte de um único professor multidisciplinar presencial em cada localidade. Na teoria, seriam reduzidos os problemas com os professores , que passam por maus bocados (conforme a própria Edna já exemplificou, como não ter alojamento para eles em todas as cidades). Tanto os profissionais quanto os estudantes protestam contra a medida — afinal, está claro que repassar conteúdo padronizado para pessoas tão diferentes não é o caminho, como também concorda o Sindicato dos Professores (Sintepp).

“É gritante (as deficiências de leitura e conhecimentos gerais dos estudantes). Os alunos que são do Fundamental I, a base, são atendidos pelo município. E este geralmente não faz reciclagem e continua com o livro didático totalmente defasado, principalmente o de História. A História a cada minuto está mudando, e os alunos — e professores — do município continuam com aquela mentalidade de antigamente. Os professores só reproduzem o que está escrito lá e os meninos não conseguem ter a própria opinião sobre História, principalmente do Brasil”, comenta, acrescentando que não é culpa do professor do fundamental, “porque ele também não teve uma boa faculdade”.

É que muitos municípios paraenses não possuem polos de universidades estaduais e federais, fazendo com que professores precisem estudar à distância em faculdades particulares. “Agora, desde uns seis anos atrás, que (o ensino superior público) está tendo um alcance maior, mas ainda há muita deficiência. Alguns até planejam as suas aulas, mas o conteúdo está defasado”.

Assim, quando ela entra em uma sala de ensino médio, principalmente do primeiro ano, encontra adolescentes sem “base nenhuma” de História, mais ainda as do Brasil e da Amazônia. Então começa: “‘esqueçam tudo o que vocês aprenderam no Fundamental. Façam de conta que estão aprendendo agora’. Aí eles falam: ‘ah, então quer dizer que a gente aprendeu tudo errado?’, eu respondo: ‘infelizmente, sim’”.

quando eu trabalho História, eu falo assim: esqueçam tudo o que vocês aprenderam no fundamental. Façam de conta que estão aprendendo agora. Aí eles falam: ah, então quer dizer que a gente aprendeu tudo errado?, eu respondo: infelizmente, sim.

O que a deixa mais indignada é o que ela considera ser uma falha educacional de todo o país: “o aluno não conhece nada da sua História, muito menos da região em que vive. O aluno, apesar de caírem questões relevantes no ENEM, não está preparado (para a vida) porque não conhece a própria cultura que respira”. Completa: “eles moram na Amazônia, estão dentro do (rio) Xingu, do (rio) Tapajós, as coisas aconteceram ali e eles não sabem disso.”

Então ela faz essa ponte: sintetiza a História Geral, fala bastante do Brasil, porque são os temas que caem no vestibular, mas aprofunda na Amazônia. Não usa livros didáticos, prepara o próprio material e sempre que a distância e o transporte permitem, leva os alunos para o lugar mencionado no conteúdo. “Eu viajo com eles. Dependendo da região do módulo, eu os levo em cavernas, grutas, e faço eles sentirem na pele como é que o homem pré-histórico vivia, pergunto: como vocês sobreviveriam?. Se falo do Ciclo da Borracha (nossa Belle Époque), levo eles em Fordlândia, em Belterra (pólos de produção gomífera e que também tinham arquitetura europeia).” Aliando a prática com a teoria, ela diz que eles assimilam muito mais. “Já andamos 300km num pau de arara enfrentando buraco e chuva, chegamos em Fordlândia e eles adoraram!”, conta satisfeita.

Fordlândia (Foto: Edna Ponzi)— Antiga casa na Vila Americana, destinada para a elite da cidade planejada pelo famoso empresário Henry Ford. Engenheiros geralmente eram os moradores da Vila. Fordlândia fica dentro do município de Belterra. A cidade ganhou a fama de fantasma devido a Henry Ford ter adotado o sistema plantation, sem imaginar que um tipo de fungo existente na Amazônia destroi as seringueiras se elas estiverem plantadas próximas uma das outras.
Por dentro de uma dessas inúmeras casas abandonadas. Elas têm banheiras, e torneiras de bom acabamento. Algumas casas nunca chegaram a ser ocupadas, outras foram residências dos chamados “Barões da Borracha”.
Casa habitada por padres e onde a turma de Edna ficou hospedada. Apesar da fama, a cidade não é totalmente fantasma: lá funcionam posto de saúde, escola de ensino médio regular, por exemplo.
Vila operária, também de estilo americano. A chegada de barco na cidade passa pela placa com a inscrição “Fordlândia”, nome original e pelo qual o lugar é conhecido nacionalmente. as quem chega por terra (neste caso, de pau-de-arara) vê uma placa anunciando “Forlândia”, que foi o nome rebatizado pelo governo federal depois que Henry Ford saiu daqui. O governo comprou a terra e indenizou o empresário.
Depois, as fotos e pesquisas ficaram expostas na escola. A grande maioria dos alunos, apesar de cursarem o ensino médio, já é adulta e segue nos estudos para poder prestar concursos públicos.

(Continuação no próximo post)


Originally published at revistainterage.com on August 11, 2016. 31 people liked this post.

About Nayra Wladimila

Inventei de ser jornalista porque me divertia fazendo revistas na infância e hoje insisto na profissão por teimosia e amor bandido. Sou dona da Interage e acho estranho falar “do Interage” para concordar com a palavra “site”. Mais estranha ainda só eu mesma, pois vou ao bar para comer o tira-gosto e conversar ao invés de beber, prefiro esperar um filme passar na televisão do que abrir o Netflix e lavo a louça ouvindo rock psicodélico. Email: wladimila@gmail.com