O mercado de trabalho mudou. E agora? (por Célia Fernandes)

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O mercado do trabalho está a passar por mudanças e há muito que se sente a falta de uma nova perspetiva sobre o trabalho e a empregabilidade. Os princípios de base dos postos de trabalho das gerações passadas, em que trabalhar correspondia a ter um emprego de longa duração e a tempo inteiro, já não se verificam para quem está agora a entrar na vida ativa.

Com a expansão generalizada do trabalho em organismos públicos e por conta de outrem, as pessoas permaneciam durante muitos anos ou até toda a sua carreira profissional na mesma empresa ou instituição, sabiam com antecedência quando se iam reformar e quanto dinheiro tinham à sua disposição nessa nova fase da sua vida. Enquanto as gerações que agora entram na vida ativa sentem instintivamente que essa já não é a realidade. A expetativa de encontrar imediatamente um emprego estável e para toda a vida, após os estudos universitários, deixou de existir.

O resultado desta discrepância entre expetativas e a realidade fez com que os jovens recém-formados se sentissem excluídos da economia de mercado. Contudo, esta reformulação do mercado de trabalho não é necessariamente negativa, exige apenas que haja uma adaptação por parte do ensino, das empresas e dos colaboradores.

É um mercado de trabalho volátil e cada vez mais global, mas com oportunidades. À medida que decorre a globalização da economia e a difusão das tecnologias de informação e comunicação, apareceram outras formas de trabalho, denominadas de “atípicas” ou não convencionais. Nos últimos anos, acentuou-se essas relações de trabalho flexíveis, como contratos a tempo parcial, contratos de trabalho temporário, trabalho independente ou autoemprego e de teletrabalho. Por exemplo, uma empresa portuguesa pode contratar, através da internet, colaboradores do outro lado do mundo que prestem serviços de Web design, sendo o vínculo laborar acordado digitalmente.

Portanto, o mercado de trabalho atual exige um ajuste constante, uma reciclagem de conhecimento contínuo e uma gestão da carreira a curto e a médio prazo. Mas, por um lado, constituí uma oportunidade para o trabalhador adequar a sua vida profissional às necessidades individuais.

Para fazer face a esta configuração do mercado de trabalho, necessita-se do aparecimento de iniciativas educativas, empresariais ou híbridas que instituem práticas diferentes das existentes no trabalho “convencional” para preparar os jovens e a população ativa aos novos desafios. O projeto Skills Lab surge nesse sentido e está aqui para provar que embora o mercado de trabalho se alterou há oportunidades.

Na sociedade atual, o percurso educativo e a “job description” não deve limitar o percurso profissional. Se à formação juntarmos competências, demonstrarmos interesse por aprender e ambição, mas também capacidade de adaptação e empatia, conseguimos ultrapassar qualquer obstáculo. Ser um trabalhar focado nos objetivos da empresa e multitasking é crucial no mercado de trabalho atual. Só assim se conseguirá enfrentar o ritmo, a imprevisibilidade e a competitividade do mercado de trabalho.

Conheça as principais mudanças no mercado de trabalho através da perspetiva de três gerações diferentes no documentário “All work and all play”.