Perdoe

Se sinta mal. Ouvir isso de alguém rasgaria qualquer um de cima a baixo. Quando meu pai foi assassinado (tenho feito questão de repetir isso mentalmente e escrevendo pois percebi que não devo ter vergonha ou medo) me disseram para ser forte, depois que eu podia chorar, sofrer. Eu sofri e sofro todos os dias, em algum momento deles eu me pergunto como seria se ele ainda estivesse aqui, mas ainda sim, superei a ideia da morte dele, não a ausência.

Peço desculpas, antecipadamente por, após oito anos, me permitir fazer o certo e enxergar que a vida não é para ser sempre um martírio e uma guerra diária. Peço desculpas por saber que não me entenderão, não respeitarão e me julgarão egoísta. Só fui egoísta na minha dor.

Tenho repetido ciclos dolorosos nesses últimos anos e ignorado, já que o tempo tudo cura… Tenho buscado escapes também e eles funcionaram muito bem, até ontem. Essa semana eu chorei todos os dias, com a novela e com as minhas reflexões. Não estou em crise, nem depressiva, nem nada, só infeliz com o desfecho da decisão que tomei.

Não sou egoísta, só parei de tentar enxergar em mim a culpa pelos erros alheios, parei de procurar inocência no egoísmo alheio. Vi que dormir onde durmo e sempre chorando não é o padrão das pessoas. Amargura não é padrão.

Peço desculpas, vocês, por não querer mais esse tratamento. Será doloroso para mim fazer o óbvio. Foi bom, ainda assim, ter vivido essa tentativa de família normal até ontem. Durmo hoje me preparando para as mudanças dos próximos meses. Bons sonhos.

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