Quando o dia for breve

Valha-me aos deuses 
à quem nasceu da carne, pavor e mel
Submeteu-se ao metal e ao cerne do fel
Limpei minha alma com as manchas no papel.

Permita-me viver no abstrato
um sonho feito do estrato
do rastro de meus pés descalços
Aos poucos entorpece o passo
Na pena passada, enxergo o que posso.

Permita-me dançar no nordeste
Embriagar-me nos bares do sudeste
Caminhar pelo litoral enquanto entardece
Permita-me acordar quando o dia for breve.

Permita-me ver o nublado se tornar um céu azul
O rosto que se encontra num entorno nú
Permita-me encontrar alguém do sul.

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