A Arte de Escrever

A arte de escrever é o erotismo da cognição; d’alma o elixir da imortalidade; da consciência o ponto extático da compreensão. Vivo por ela, pois, permanece infinda e estável, cai sobre mim como chuva — ascende-me aos caminhos mais deleitáveis. Em sua ausência, me recordo da morte sem nunca me ter morrido; em sua falta, sou apenas miserável. Nada obstante, me existo por ela seja no texto ou na fala, seja na ruína do anonimato ou na voraz fama; vivo por ela, simplesmente, em todas as estações sazonais, em todos os estados emocionais, em tudo o que sou, fui, serei. Nela está minha razão de ser, e só me tornei ‘ser’ quando nela me imergi, por amor e devoção, por admiração inefável. A arte de escrever mantém vívido os meus desejos, mantém a paz no silêncio e permite a loucura necessária para continuar por ela vivendo. Não é apenas um sonho de infância, nascido do sútil processo de aprendizagem, curvado pela ingênua capacidade de desenhar letras; escrever está nas entranhas e corre junto ao sangue nas minhas veias; exala pelos poros da pele e a pele, pela escrita, estremece de paixão veemente. Dormindo ou acordada: escrevo; sou levada pela constituição desta arte enquanto possibilidade unicamente humana e, nos meus sentidos vivenciais, — tão singulares -, faço da Arte de Escrever a principal significativa experiência que dá, à vida, continuidade.

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