A sustentabilidade é redonda, quadrados somos nós

Você já reparou que nossa vida é dividida em começo, meio e fim? Nossas referências são as retas e os ângulos de 90 graus? Que a maioria de nossos processos são lineares e se interrompem como se não houvesse o depois?
No entanto, observando a vida com uma lupa, veremos que nada acaba por completo. Não estou me referindo à existência após a morte, mas aos ciclos naturais que sempre recomeçam. Tomando como exemplo uma planta: a semente germina, cresce, floresce, dá frutos e dissemina seu pólen ou semente, reiniciando outro ciclo. Tudo é naturalmente assim.
O ser humano com o seu imediatismo adotou o pensamento linear que não considera o que vem depois. Nunca pensa nas consequências futuras do presente.
O processo, baseado em extrair, fabricar, utilizar e descartar, leva-nos ao acúmulo de resíduos que chamamos de lixo, gerando poluição e, como resultado, à escassez de recursos para a produção de novos bens.
Mas, será que o lixo é composto realmente por coisas inúteis, que não servem para mais nada? Segundo o modelo circular de economia, produtos, componentes e materiais podem ser mantidos em seu mais alto nível de utilidade e valor sempre, se desenhados com o propósito de serem reinseridos na cadeia produtiva incessantemente.
Para que isso dê certo o design é a principal ferramenta. O design de serviços projeta todo esse processo que não para nunca.
Regeneração por princípio

A economia circular é regenerativa por princípio e vem sendo implantada em diversas cidades e países, como no continente europeu que pretende chegar a 2030 sem incineradores e com desperdício zero.
Na Itália, há diversos exemplos de gestão circular como o projeto “Carta Km Zero” (Papel km Zero), que nasceu graças ao acordo entre a fabricante de papel Cartieri di Trevi, e a empresa de gerenciamento de coleta e disposição de resíduos, Vallet’Umbria Servizi. Todo papel e papelão recolhido nos 22 municípios da região da Úmbria é recuperado e usado na fabricação de novos produtos.
Esta é apenas uma mostra de que, com planejamento, é possível deixar as cidades mais limpas, evitar a extração de árvores, racionalizar o consumo de energia e evitar emissões de CO2.
E aí, quê tal deixar de ser quadrado e começar a pensar redondo?
