Eu preciso ir.

Comecei esse texto há algumas semanas, dizendo que você precisava ir e hoje estou sentada olhando para as partes que faltam nele.

Quando comecei a escrever fazia aproximadamente um ano que nós decidimos ser amigas, mesmo depois de tanta confusão parecia uma boa ideia se entregar ao sentimento de amizade que ali víamos brotar.

Porém, foi no se entregar que encontramos o problema: seu papel de amiga estava guardado em sua gaveta. Lá ele permaneceu durante esses 365 dias que vimos passar tão rápido. Papel esse que você nunca aceitou de bom grado, pois pouquíssimas foram as vezes em que pude dizer “sinto que está aqui por mim”.

As coisas só funcionam quando há reciprocidade e entre nós, não existe isso. Fui uma diversão para você. Alguém que te defendia das “graves acusações” que suas amigas de anos faziam, coisas como “ela não sabe ser amiga” ou “ela nunca é amiga de ninguém” sempre ecoavam nas conversas nos corredores.

Você precisava de alguém que te aliviasse dos seus dramas, que de alguma forma te falasse que não é uma pessoa tão ruim assim e que tudo poderia mudar. Sabe quem acreditou na sua mudança? Eu. Ninguém mais acreditou nisso, nem mesmo você.

Precisa de tanto drama assim por uma amizade? Talvez não precisasse, mas as coisas são mais intensas do lado de cá. Nós não precisamos das inúmeras discussões que envolveram nosso relacionamento e o mais importante: não precisamos uma da outra.

Quando dei início a esse texto precisava desesperadamente te expulsar da minha vida, gritar como você foi péssima e como me fez sentir dor. Mas agora, depois de algumas semanas sem falar com você, percebo que eu não necessito te chutar da minha vida e sim que eu preciso ir.

Estou partindo da sua vida porque amizade não é um caminho de uma mão só. As vezes caminhar sozinho é mais leve e bonito do que carregar o peso do outro nas costas. Hoje eu não carrego mais o seu.

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