Crise de Temer chacoalha a vida da população brasileira

Na quarta-feira, o Brasil passou pela explosão de uma bomba atômica na política: a divulgação do conteúdo de conversas entre Joesley Batista, um dos donos da J&F — empresa que controla o frigorífico JBS -, com o presidente Michel Temer e outra com o senador Aécio Neves. O País entrou em polvorosa.

No dia seguinte, a bolsa caiu tanto que suas atividades tiveram de ser paralisadas. O dólar subiu muito, apesar dos esforços do governo para segurar o preço da moeda norte-americana. Embora para a maior parte da população esses acontecimentos não signifiquem nada no seu dia a dia, investidores do mercado financeiro perderam dinheiro.

Neste grupo estão as 16 pessoas mais ricas do País que, juntas, ficaram US$ 6,2 bilhões mais “pobres”. Só Joseph Safra, dono do Banco Safra, perdeu sozinho US$ 1 bilhão de dólares, algo em torno de R$ 3,25 bilhões.

Ninguém gosta de perder dinheiro, é verdade, mas o dinheiro perdido do dia para a noite pelo banqueiro certamente não vai mudar seu cotidiano, nem o da sua família, afinal, sua fortuna é avaliada em US$ 20,5 bilhões. Mas vamos olhar o valor de outra forma. Quantos salários mínimos cabem na perda de um dia do homem mais rico do Brasil? Exatos 3.468.516.

Esse é só um pequeno exemplo da desigualdade social que vivemos. Enquanto a perda de US$ 1 bilhão não significa praticamente nada para uma única pessoa, ela representa a renda mensal de quase 3 milhões e meio de brasileiros. Na verdade, mais de 30 milhões de pessoas no Brasil vivem com um ou dois salários mínimos mensais, de acordo com o último Censo Demográfico, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010. E a perda dessa renda, para a grande maioria desses brasileiros, significaria não ter dinheiro para as necessidades mais básicas.