

O que você fazia aos 17 anos?
Eu estudava para passar no vestibular e, ainda antes de fazer 18, estava na faculdade cursando jornalismo.
A menina da foto acima se tornava a pessoa mais jovem da história a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, motivado por sua luta para garantir a educação de meninas mundo afora. Você certamente conhece Malala Yousafzai, a menina que levou um tiro do Talibã por lutar pelo direito a educação.
Hoje, ela é talvez um dos rostos mais conhecidos do mundo e uma das pessoas que mais me inspiram. Seu livro “Eu sou Malala” é um best-seller e recentemente foi lançado um documentário contando sua história: “He named me Malala”, ou “Malala”, no título em português.
Malala me impressiona porque não se deixa deslumbrar por sua fama e reconhecimento. Persiste na luta e continua dando discursos inspiradores e apaixonados. Continua se preocupando com a mesma coisa desde o início: garantir o direito à educação.
Mas deixando de lado minha tietagem, o que eu quero dizer é que é muito impressionante fazer tudo que ela fez aos 15, 16, 17 anos. Malala começou escrevendo um blog para a BBC contando o dia-a-dia sob influência do Talibã e é, aos 18 anos, uma das pessoas mais influentes do mundo e uma das vozes que mais ecoam. Isso nunca vai deixar de ser impressionante, mas vão aparecendo cada vez mais e mais exemplos de “Malalas” ou “Micro-Malalas” ao redor do mundo, e esse é um dos maiores termômetros que me fazem acreditar que estamos sim rumo a um mundo melhor.


Aos 17 anos, Catharina Doria, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente, abriu mão de sua viagem de formatura e criou o aplicativo “Sai pra lá” para mapear o assédio que as mulheres sofrem.
Também aos 17, um grupo de 6 meninas de Santos criou o “ForYou”, aplicativo e comunidade de suporte para meninas e mulheres vítimas de revenge porn.
Começam a surgir coletivos feministas em colégios de ensino médio (!!!).
Tem também o belíssimo trabalho da Capitolina, uma revista com viés feminista para meninas adolescentes. Elas já têm um livro publicado e o trabalho fica maior a cada dia.
E esses foram alguns exemplos que lembrei em um brainstorm de 2 minutos. Tem muito, e MUITO mais vindo por aí. No Brasil, na América Latina, nos EUA, Oriente Médio, Europa. Onde você quiser.
Não adianta fugir. Felizmente, elas vieram para ficar. As meninas de hoje têm uma tolerância muito menor com situações de desigualdade e não vão se calar. Começam cedo a fazer tremer as bases de suas comunidades.
Falamos muito de Malala, que merece tudo o que conquistou e ainda mais, mas ela não está sozinha. Em cada canto há uma nova Malala. São Catharinas, Letícias, Camilas, Julianas, Luanas, Marias Claras. E eu me achando muito legal porque entrei na faculdade aos 17.
Sejam bem-vindas. E desde já, obrigada.