Amor

sobpoesia
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Nov 5 · 1 min read

Eu não consigo engolir
já perdi a conta de quantas palavras estão agarradas aqui
entre meu peito e a minha boca.

É divertido pensar
na poeta disléxica que é ruim com palavras
que não sabe muito bem se expressar
que sempre diz a coisa errada na hora errada.

Mas eu não quero te perder
acontece que há muito tempo eu me perdi
e eu não gosto do que encontrei
dos pedaços que restaram
das espadas cravadas em meu peito
que nunca vão embora.

A verdade é que todo dia dói
um lugar diferente
e eu estou acostumada com as feridas velhas
elas estão inflamadas mas se eu não me sentar assim
se eu não abrir aquela caixa
ou meter o pé naquela gaveta
é só tomar um remédio pra febre;
mas tem dias que novas aparecem
e eu nunca sei muito bem lidar com elas
até me acostumar com a dor.

Eu choro e me afasto
tenho a tendência de empurrar todo mundo para fora da minha vida
é meu esporte favorito, sabe?

Me fazer sofrer.

E eu sou muito boa nele.

Então fica,
mas não faz morada.

Eu sou um desastre andante
uma estrutura desgastada
um inferno ambulante
nunca me fiz aconchegante.

E, quando decidir ir embora, tudo bem
junta sua trouxinha e vai.

Vai doer
vai sangrar
e eu vou te perdoar.

Me amar é difícil,
eu mesma nunca consegui.

-sbps.

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