Au revoir.

Escrito em 3 de Janeiro de 2015

Texto cortado

Pensei milhões de coisas pra escrever enquanto tomava banho, enquanto andava na rua, enquanto pegava uma carona, enquanto andava de ônibus, enquanto estava sentada no sofá cercada de mais 6 pessoas e a televisão ligada em qualquer novela. Quando eu sentei pra escrever tudo se escondeu, é como se o pensamento não pudesse ser concretizado, assim como quando a gente parava pra “conversar”. Bom, tentarei dar início a mais uma carta de mais uma etapa concluída ou quem sabe, só no começo de qualquer coisa que seja.

Eu pensei em começar pedindo desculpas ou dizendo que vou sentir saudades, mas acho melhor começar com as confissões, porque desculpas e saudades já é de casa, já nos farta saber. Meu desejo era desistirmos dessa coisa de querer ser um casal, mas continuássemos sendo amigas como se nada tivesse acontecido e tudo fosse permitido, ir te ver, brincar com você, conversar sobre tudo, você poderia vir pra minha casa e poderíamos beber vinho, tocar violão e falar sobre sua família que te causa tristeza, mas cada uma com sua vida amorosa bem resolvida, como esses casais poliamorosos, “viva la diversidad, sou um inconsequente romântico e minha simplicidade me deixa alegre” hahaha. Mas não, não somos e não faremos nada disso. Nossa junção como casal causa relâmpagos, então Zeus manda alguns raios e nos deixam atordoadas e perdidas, separadas.

Tenho certeza de que fomos muito felizes em outras vidas (uma teoria que não foi lapidada), juntas. Fomos casadas, irmãs, amigas, colegas? Alguma coisa nós fomos e certamente tão felizes que essa felicidade foi estendida por mais alguns trocentos anos. Dividida em micro períodos de tempo. Tudo que vivemos nesses últimos anos foi tão confuso, mas eu vejo felicidade através de toda essa complexidade, parece loucura e pareço ser uma insana, sim, sou uma insana, mas isso não é loucura. Sei também que fui muito confusa, meus sentimentos sempre foram extremos pontos de interrogação, tenho pena de você por ter passado por isso, pena de mim por ter feito você passar por isso. Eu deveria ter feito mais, ser mais clara, menos subjetiva, menos metafórica, mais ações, menos silêncio, ser como qualquer outra menina simples das ideias e facilitar as coisas. Mas eu não sou assim, nunca serei.

Eu sempre li sobre o amor. Muitas pessoas falam sobre e argumentam, usam como tema de discussões, tentativas de ocupar o tempo da melhor maneira possível, vi alguns vídeos… E ontem tive a epifania de relacionar o nosso amor com o amor genuíno de um vídeo que assisti com a Monja Jetsunma Tenzin, que em uma de suas palavras disse:

” O amor genuíno é — Eu amo você, por isso eu quero que você seja feliz ” e não ” Eu amo você, por isso eu quero que me faça feliz ” .

(…) Não quero ter mais histórias que remetem a um ciclo e tomem 4 anos da minha vida, pra não ter que fazer uma lista de histórias desse nipe, porque eu não quero te colocar numa lista, nunca esteve. Isolar alguns fatos sempre pareceu muito mais fácil, isolar os desencontros como se fossem parte de uma realidade inventada, mas os desencontros eram nada mais que desencontros e nada menos que uma onda de um mar de incompatibilidades. Por que tanta dificuldade? Espero que deus nos responda isso um dia. Entretanto, nada nesse mundo me fará ver o lado bom das coisas.

Diante de tudo isso, parece até que tivemos uma história de amor e vivemos juntas por um longo tempo fervoroso e daí depois… Ah, que pena, não deu certo. Mas não, foi mais cômico que romântico, mais estranho que louco. Dessas histórias é que eu gosto mais, as estranhas, as não clichês, parece que falo como uma masoquista, mas é só que… seu lugar em mim é eterno. Não espero que me ligue, que me escreva, que me procure, não pode. Não farei isso, seremos felizes, assim então eu oro.

Au revoir.