Suspensa
hoje acordei completamente perdida
não me senti pertencente da cama que acordei, do ontem que vivi, do cafe da manhã que beberia minutos depois. Lembrei da casa da minha mãe, não me senti pertencente da lembrança. Passei o dia agoniada entre textos alheios, conversas avulsas, artigos inacabados e com prazo de entrega, um almoço mal comido e só me senti menos agoniada mudando a ordem dos objetos da minha estante.
Hoje eu disse pra ela: “As vezes eu sinto tanta saudade, que tenho vontade de pular do 5° andar”. Ela perguntou: “Saudade do que?”, eu ri e disse “de você, tive que compartilhar, desculpa.” E nesse momento eu olhava pra janela e pensava se pular do 5° andar aliviaria a saudade, já que a morte do corpo não garante o fim da ideia. Hoje eu quis voltar pra ela, quis curar todas as feridas, quis abraça-la e esquecer dos meus prédios e me lembrar só da sua praça matriz. Eu pude sentir a sensação daquele abraço, de ouvir aquela voz. Hoje eu quis sentir aquele rosto aquele gosto, eu quis me arrepender de ter partido, eu quis me redimir e chorar. Mas algo me segurou pra que nada disso acontecesse: o destino talvez, a razão quem sabe, as possibilidade tortas e falhadas — pode ser! So sei que no meu ouvido sussura uma voz plena e preocupada:
Sinta o que tiver que sentir, mas permaneça no concreto, o que não dá não dá, mas não quer dizer que não dê pra sempre, espera que o tempo incrementa e reinventa, vai da bom.