O que diabetes tem a ver com empatia?

Como é de conhecimento de quem convive comigo eu tenho uma doença autoimune, sou diabética tipo 1 há 4 anos. Mas, Camila, essa não é aquela diabetes de criança? Não, é comum a manifestação em crianças, mas também é em pessoas mais velhas, eu tinha 21 quando a bandida me achou. Tomo insulina várias vezes ao dia desde essa época, levo, em média, 10 picadas por dia, contando aplicação de insulina e medição de glicemia, e isso é para o resto da vida.

Acho que a minha vida é triste? Não, eu sou bem feliz apesar da doença, até mesmo porque que coisa idiota seria ficar triste com algo que não posso controlar, não é mesmo?! Fico triste quando sou irresponsável com isso ou inconsequente. O que sinto sempre é medo, medo de ter uma hipoglicemia e não conseguir levantar e entrar em coma, medo de ser tão irresponsável a ponto de ficar cega ou ter problema renal. Felizmente, não possuo nenhuma sequela e tento conviver da melhor maneira possível, sem sentir dó de mim ou culpar algo ou alguém por isso. Aprendi desses 4 anos de doença que quanto mais eu brigo com ela, mais ela me bate. Resolvi viver de bem com ela para viver bem e por muito tempo.

O ponto que quero chegar aqui, coleguinha, é como a diabetes e a empatia se encontram e como aprender a ser amigo do seu amigo com uma doença assim (ou qualquer outra doença), que é cansativa, chata, que às vezes faz a gente chorar quando calculamos o carboidrato errado e vem a maldita hiper e dá vontade de socar a cara de todo mundo (desculpa namorado, família e amigos).

Então, a palavra do dia, na verdade, da vida, é empatia. Dizer pro seu amiguinho que de como a vida dele é triste por precisar se picar todos os dias (?), fazer escândalo quando vê uma caneta de insulina sendo usava (??), falar que não conseguiria viver assim ou aquela frase maravilhosa que sempre escuto “nossa, você vai aplicar essa insulina aqui no meio da rua?”, não é legal, não é bonito, na verdade, é até meio ridículo.

Então, vamos aprender a viver nesse mundo? É fácil, bem fácil. Se ponha no lugar do outro ouuu saia da frente e deixe espaço para outro com empatia chegar perto. Por conta de coisas desse tipo senti vergonha por um bom tempo, vergonha de ser quem eu sou e me tratar da melhor maneira possível para não parecer estranha ou doente. Ridículo né?! Li relatos de outros diabéticos sobre isso, todos passam por isso, e me ajudou muito, me ajudou curar a doença da vergonha. A partir daí, passei a ter vergonha alheia, sabe?! Tenho vergonha de você que fala besteira por não ter o que falar ou porque tem medo do desconhecido e sai tecendo comentários maldosos.

Não consegue ficar calado e quer falar sobre? É só perguntar “você lembrou de aplicar a insulina depois que comeu esse hambúrguer?”, “você lembrou de medir a glicemia antes de vir?”, “como é que aplica isso aí? Dói?” ou até mesmo “como funciona essa doença?”. É simples, é legal e ajuda seu amigo.

O objetivo do meu texto é abrir o olho de quem fala besteira e nem nota. E ajudar também outras pessoas na mesma condição que eu, que sentem vergonha com medo de comentários assim, falar para elas que na vida sempre tem alguém meio ignorante e que vai falar besteira, mas o que é uma pessoa assim na sua vida para quem se pica 10x ao dia? Nada.

Vamos fazer o seguinte? Vamos aprender mais sobre essa doença para na próxima falar algo construtivo ou, se não for possível, calar a boca? Aqui embaixo coloco três links com textos educativos para quem quiser passar da barreira da ignorância, até mesmo porque ninguém nasce sabendo, não é mesmo?! Eu aprendo todo dia com a doença e sei que será assim pro resto da minha vida. Além disso, no google você encontra mil textos sobre, é só dá uma olhada.

O que é diabetes tipo 1

Sobre diabetes tipo 1

Uso da insulina no tratamento do diabetes mellitus tipo 1

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Camila Martins’s story.