Eu iria aonde você quisesse que eu fosse e pela primeira vez eu tive propriedade de que meu coração tinha perdido meu domínio, e de que as coisas não seriam as mesmas. Foi assim que me senti quando vi você entrando na minha vida e agora eu simplesmente venho te admitir que eu não aguentei o baque que é assumir essa com você e me jogar de cabeça numa coisa desconhecida, e isso ficou claro para os dois em determinado momento. Não aguentei nossa fase pós-conquista e todo o comodismo que isso nos trouxe, e talvez até a estranha intimidade que já estava numa zona confortável… Eu também não aguentei tudo o que eu consegui sentir num espaço de tempo tão curto. Não aguentei sentir ciúmes e me sentir frágil, visto que você sabe que eu acho que minha história me torna um tanto quanto desinteressante. Não aguentei ter que admitir pra mim todos os dias que algo bom tinha acontecido e que era desesperador a ideia de que essa coisa boa fosse embora, eu tinha que ir antes dela pelo medo absurdo de ouvir o barulho da porta fechando de novo de dentro da casa.

Eu nunca escrevi nada em tom de despedida antes, na verdade você sabe muito bem que eu nunca fui de escrever absolutamente nada, principalmente uma despedida de alguém que eu amo. Afinal, se já é difícil dar adeus quando não se ama, imagina quando se ama. Não é simples colocar um marcador de página numa história de amor e abandonar a leitura. E em todo o tempo que tive que passar admitindo a mim que o medo tinha me vencido, não pude deixar de reconhecer que jamais terminaremos esse romance e que não haverá recompensa por aquilo que nós lemos até ali.. E na verdade, o que mais me deixa triste é que ninguém nos contará o que aconteceu. Não estaremos juntos na derradeira linha ou nos próximos finais de semestre. Eu matei a nós sem ter nos matado, e você desapareceu estando onipresente. O livro da nossa imaginação ficará fechado para sempre.

Dentre as coisas que desejo pra você, é que você não queira viver o dia de uma despedida com a consciência de que é uma despedida, que foi o que andei vivendo nos últimos dias. Foi uma cirurgia sem anestesia. Fui cortada, remexida por dentro, costurada, e senti cada pontada e rasgo, antecipando cada movimento com os olhos abertos. A pele doeu como a dor de uma fratura exposta, a sensibilidade me pediu piedade, e meu ouvido apanhou qualquer frase como uma possível sentença salvadora… Ainda apanha na verdade. Talvez eu só espere que você me diga algo enquanto estou aqui chorando enquanto te digo que você é a pessoa que eu amo, e que estou desistindo de você.

Te escrevendo isso, depois de tantas outras despedidas que já fiz de forma solta, chego a conclusão que é melhor que a despedida seja involuntária, desconhecida, desavisada. Melhor que seja abrupta, de repente, improvisada. Pois se despedir da forma que eu estou fazendo, é sofrer com tudo que lhe tornava feliz. É abrir os braços para a mágoa como se viesse uma alegria em nossa direção e aceitar essa mágoa como a consequência de uma felicidade que abrimos mãos de ter. É um esforço para decorar o estranho momento em que abandonaremos uma vida tão desejada e um futuro que torcemos a cada segundo desde que ele correu o risco de acontecer. É entrar num lugar pela última vez, e ter noção de que será a última vez. É olhar a notificação do celular tendo a certeza que será a última vez. É soltar qualquer piada sem graça sabendo que aquela ali será a última risada. É ajeitar a franja no seu rosto, e ter noção de que será a última vez. É ouvir a respiração perto pela última vez, copiosa, irrefreável, e ter noção de que será a última vez. É abraçar pela última vez e não soltar porque é realmente a última vez. É beijar pela última vez e soluçar porque enfim chegou a inacreditável última vez…

É uma coleção de instantes definitivos.

Preciosos.

Sábios.

Uma coleção de memórias dolorosas, que guardamos dentro de nós como momentos que queremos que durem até a próxima eternidade. Despedir-se de cada detalhe, é guardar. Guardar é cuidar. Cuidar é nunca deixar de amar. Quem faz questão de se despedir, quem faz questão de inventar uma despedida, é quem ainda ama. Ama muito. Ama demais. Ama loucamente. E é por isso que eu estou me despedindo.

É porque eu te amo e me irrito quando percebo que você talvez seja o grande amor da minha vida, porque eu queria passar uma vida inteira ao seu lado, e preciso ir embora antes que você me diga que não será nessa.

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