Ciência de dados + Impacto Social: uma das receitas para mudar o jogo.

Social Good Brasil
May 16, 2019 · 3 min read

por Bruno Evangelista

“Dados são o novo…”. Pesquisa no Google.

Dados são o novo petróleo, são a nova moeda, são o novo ar e até o novo bacon (peguem essa, vegetarianos). Estamos ouvindo de tudo no crescente hype desta matéria prima tecnológica e suas múltiplas aplicações na sociedade. Mas o que acontece quando cientistas de dados usam seus conhecimentos para lidar com a complexidade de problemas socioambientais?

Grandes empresas como Google, Uptake e Uber já estão propondo as primeiras respostas a essa pergunta. A crescente interdependência entre indivíduos e organizações agrega altíssima complexidade aos problemas que estamos enfrentando como sociedade e, ao mesmo tempo, gera uma densa malha de dados a ser compreendida. Quanto mais infraestrutura de tecnologia, competências técnicas e habilidade para lidar com problemas complexos, mais poder de navegação um indivíduo ou organização tem em um futuro analítico.

No mundo da ciência de dados para impacto positivo há três atuações principais:

Para empresas, a filantropia de dados — Imagine a quantidade de dados que uma grande empresa de telefonia coleta de seus usuários em um determinado país. Total de ligações, seus posicionamentos e duração; total de SMS mandados e recebidos, cobertura de dados móveis. Agora imagine também o potencial positivo disso na gestão de crises que envolvem toda a população, como no caso de catástrofes climáticas, compartilhando informações com governos para estimar a partir do sinal de rede móvel o número de pessoas que estavam em uma determinada área atingida e ajudar com as buscas. Ou ainda: imagine o potencial de uso de dados coletados por aplicativos de navegação GPS e como eles podem ser úteis para entender melhor as dinâmicas de deslocamento em cidades contribuindo para políticas públicas de mobilidade urbana. A filantropia de dados então é feita, então, por empresas que já coletam grandes quantidades de dados e deixam disponíveis extratos anônimos para serem usados com impacto socioambiental positivo.

Para organizações de impacto, a cultura analítica — Nem sempre organizações de impacto — ONGs, Negócios Sociais, Institutos, Fundações e outros atores que têm como base das suas atividades impacto socioambiental — geram quantidades realmente massivas de dados. Porém tanto um olhar estratégico para o small data interno quanto para as diversas fontes de dados secundários disponíveis é fundamental para sair do achismo e prestar contas à sociedade em relação ao impacto positivo gerado. Para que organizações de impacto melhorem performance, dêem escala ao seu impacto e proponham intervenções mais precisas usando dados é necessário desenvolver uma mentalidade analítica — baseada em valores humanos como ética, propósito e colaboração — e tornar sua atuação mais efetiva e clara.

Para cientistas de dados, o Ubuntu — Não a distribuição Linux, mas o conceito de interdependência entre indivíduo e comunidade. Profissionais que usam dados na academia, no mercado, no governo ou em qualquer outro âmbito da sociedade são profissionais capacitados em organizar minúsculos pedaços de informação para deles extrair grandes conclusões e direcionamentos. São profissionais que têm ferramentas poderosas para lidar com a complexidade gigantesca da quantidade de dados que geramos todos os dias e, igualmente, tem um enorme potencial de transformação quando dedicam suas competências para uma situação-problema social ou ambiental.

O mundo está descobrindo que cientistas de dados têm nas suas mãos a oportunidade de canalizar todo o seu conhecimento para iniciativas que visam ao bem comum. Dentre novas possibilidades que estão surgindo está a do Social Good Brasil, que está com chamada aberta para pessoas que gostariam de dar mentorias nas Oficinas e Laboratórios SGB. Quer saber mais? Clique aqui.

As possibilidades são infinitas quando indivíduos e organizações estão profundamente comprometidos em unir forças para intervir de forma incisiva em problemas complexos da nossa sociedade. Não há mais dúvidas que estamos caminhando para um futuro analítico, porém cabe a nós criá-lo desde já da forma mais colaborativa, igualitária e radicalmente diversa.


Texto por Bruno Evangelista, coordenador do Laboratório SGB.

Social Good Brasil

Written by

Acreditamos em uma sociedade mais humana na qual a tecnologia serve para o bem comum.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade