O Médico e O Louco

Meu braço começa a formigar e eu sei que aquele não é um bom sinal. A sala parece muito maior agora ou será que eu estou diminuído? São muitas perguntas em minha mente e só ele sabe as respostas. Por que ele me cobra tanto por uma visita? Eu não consigo resistir. Minhas pernas começam a formigar também. Meu coração acelera. Preciso de meu celular. Ligo 192. Não. Ligo para ela. Ela vai me ajudar. Um homem atende no outro lado da linha e eu desligo antes que ele termine de dizer alô. Acho que liguei errado e ligo de novo. O mesmo homem diz alô. Dessa vez escuto e respondo um baixo oi. Quem fala? Esse número ainda é dela? O homem não conhece ela. Quantos anos fazem que não ligo para ela. Meu rosto começa a formigar. Minha boca não emite som algum. O homem do outro lado da linha me diz que tem as respostas. Aquela parece ser a minha voz. Fecho os olhos e deixo o formigamento tomar meu corpo. Me largo ao chão e de braços abertos deixo que ele venha. Só me restou isso depois de todo esse tempo. Meu remédio é minha tortura. Mas ele tem as respostas.

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