Esse é um texto sobre a minha opinião sobre o filme "Esquadrão Suicida". Você pode concordar ou não com o raciocínio que eu usei pra falar das minhas impressões sobre o filme e você pode querer argumentar um ponto de vista diferente e eu prometo estar aberta a repensar sobre o meu ponto de vista se seus argumentos fizerem sentido para mim. Eu, que sou fã mesmo da Marvel, que nunca li um quadrinho do Esquadrão Suicida, mas que gosta do Flash e tá bem esperançosa pro filme da Mulher Maravilha.

A primeira coisa que eu penso ao sair do cinema: O que eu esperava desse filme e o que ele me entregou. A questão da Expectativa X Realidade.

Como eu já disse, eu sou fã da Marvel. X-Men foi um dos desenhos que eu mais assisti na minha infância, eu geralmente sou surpreendida positivamente com as adaptações cinematográficas que eles fazem e até quando eu não gosto do protagonista (Steven RogerZzz) eu consigo ser recompensada com uma boa história, cenas de lutas legais, e outros personagens incríveis. Não sei até que ponto meu amor pela Marvel é puro sentimentalismo, que mesmo quando eles repetem fórmulas clichês, eu saio do cinema jurando fidelidade eterna ao meu amor verdadeiro, o cabeça de teia.

Te amo muito Peter Parker ❤

Com a DC, o relacionamento é um pouco diferente. Eu havia me dado por satisfeita a respeito de seu universo lá na década de noventa, com aquelas adaptações polêmicas e com roteiro bobinho. Mas atores incríveis e figurino que eternizaram alguns personagens pra mim. Gostei muito da triologia do Nolan, e até torci o nariz pra escolha do Ben Affleck (e paguei a língua). Só fui assistir o "Homem de aço" no dia em que ia assistir Batman vs Superman (o que demorou muito pra acontecer). Eu não sou entusiasta do Superman, mas no geral, gostei bastante da proposta do Zack Snyder.

A primeira vez que vi o trailer de "Esquadrão Suicida", eu botei muita fé. E esse foi um ano em que eu fui ao cinema muitas vezes, e lá estava o trailer, de novo e de novo. Então acredito que tenha ficado desgastada daquela informação. Jared Leto como Coringa não ajudou, suas tentativas de chamar a atenção da mídia ficaram cansativas e banais. Fico me perguntando se esse teatro que ele armou nos últimos meses pra tentar nos convencer que ele estava tão insano quanto o próprio Coringa não foi pra abafar o fato que há várias denúncias de abuso que algumas fãs (menores de idade, inclusive) fizeram contra ele em um fórum dedicado ao 30 Seconds to Mars. É seguro afirmar: I'm finally over Jordan Catalano.

Eu estava menos animada ainda com o fato de que eles gravaram várias cenas depois que as filmagens já haviam se encerrado. Tá, isso acontece. Mas quando você já tá de saco cheio pro excesso de informação e propaganda sobre Esquadrão Suicida, você começa a desconfiar de que o filme não vai ser tão bom quanto eles prometeram que seria.

Eu tenho muito pouco conhecimento sobre como funciona o cinema como indústria, e mesmo em blockbusters eu consigo acreditar que aquilo ali é, acima de tudo, uma arte. E, pensando assim, a arte deveria ser mais importante que as estratégias para vender aquele produto. Ou pelo menos ser boa o suficiente para que a nossa expectativa quanto ao filme não fosse frustrada. Olha, não estou dizendo que essas estratégias não sejam de extrema importância, mas eu compro a experiência de assistir à um filme, não as maneiras que eles divulgaram o filme.

Esse excesso de informação e propaganda também me desanimaram a respeito de Deadpool. Esse também é o tipo de excesso que tem feito essa Swiftie aqui querer que a Taylor faça uma pausa de no mínimo um ano. Satura, saca?

Eu não duvido que isso seja uma dificuldade minha, se adaptar ao excesso de informação que a internet nos possibilita. Mas é um fato que esse excesso influenciou muito na expectativa que eu tinha pra esse filme. Eu até já sabia o que iria me incomodar no filme: a maneira que eles escolheram retratar a Arlequina. Sério, entendam que eu estou dizendo que me incomodou e que isso é algo extremamente pessoal.

E que eu não estou falando da interpretação da Margot Robbie, eu adorei ela. Ela está linda, ela é divertida, ficou muito bem caracterizada, ela foi incrível. Quando ela aparece maravilhosa ao som de "You don't own me" eu acredito que ela é livre e ela é dela. Mas por algum motivo eles acharam que seria mais interessante forçar o Jared Leto na história.

Eu sei que o cinema romantiza muita coisa que não deve ser romantizada, mas o discurso de que eles adaptaram como é o relacionamento Arlequina-Coringa nos quadrinhos não me desce. Acredito que, nessa possibilidade de diferentes universos e sagas que os quadrinhos nos oferece, o cinema é exatamente isso: um novo universo que tem um público consumidor mais variado e que consome aquelas histórias de maneira diferente. Acredito que a maioria das pessoas que vai ao cinema ver uma adaptação de um quadrinho não leu os quadrinhos (e eu me incluo nessa maioria). Também acredito que a maioria das pessoas que vai ao cinema ver essas adaptações, não vão procurar saber mais sobre os personagens (não me incluo nessa). Me preocupa muito que uma maioria não vai nem se questionar se era amor ou cilada, porque a idéia de "namorada do Coringa" de alguma maneira é mais forte que todo o resto.

Eu acredito muito que mudanças estão acontecendo e eu espero muito que essas mudanças comecem a aparecer nas produções culturais. Mas a recente animação de “A Piada Mortal” e o fato de que um assediador com múltiplos incidentes reportados ao RH mantém seu alto cargo me fazem sentir um descaso da DC a respeito da mulher, que só vai ser recuperada quando Gal Gadot aparecer para mostrar who run the world.

Acho que fiz um textão, então vou tentar resumir:

  • Will Smith me adota?
  • Amei muito a Magia.
  • Viola Davis, a senhora é destruidora mesmo.
  • A trilha sonora foi boa, mas ainda gostei mais da de Guardiões da Galáxia e Deadpool.
  • Eu estou sofrendo de amores pelo vestido de unicórnio que a Margot Robbie usou por aí.
O vestido é da coleção fall 2016 Alexander McQueen.
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