A inovação e o dilema da Sandbox
Ricardo Brazileiro
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E ae, querido! Muito relevante esse teu texto. Na minha dissertação eu levanto um pouco essa bola, mas por outra perspectiva, mais micro, do ponto de vista educacional mesmo. Sobre como essa onda maker gera um simulacro em que o que é desenvolvido por um lado serve mais como um brinquedo que como uma solução final que de fato vai pra rua resolver o problema e, por outro, gera uma ilusão de aprendizado que não é real na medida em que é uma [camada de] abstração. Eu particularmente não vejo esse segundo ponto como problema, pois é sempre um threshold entre acesso e aprofundamento e a medida disso quem vai dar é quem tá refletindo sobre essas questões educacionais. Já o primeiro ponto que eu citei acho bem problemático, pois o que a gente vê na prática é um bocado de brinquedinho que depois vira lixo ou se transforma em outro brinquedo, mas acaba restrito a quem tem a grana pra comprar esses gadgets todos. No fundo, ainda tá dependente da mão de obra escrava dos chineses, saca? É muito doido isso, se correr o bicho pega se ficar o bicho come. Eu questiono diariamente o meu trabalho, já me frustrei pra caramba, quase não termino a dissertação porque entrei nessa nóia de que no fundo é tudo a mesma coisa e a gente só tá servindo ao sistema e fazendo parte dele feito engrenagem. Acho que o lance é ser o vírus que vai destruindo de dentro pra fora, mas quando a gente vê já tá envolvido de novo. O sistema é foda porque usa a gente contra a gente mesmo e é nômade, difícil de localizar e destruir. Não quero aqui dar um tom pessimista, mas acho que esse pessimismo é que vai lembrando a gente de não parar de se questionar e esse teu texto é massa porque vai trazendo mais caldo pra engrossar a discussão. Tamo junto, durmo e acordo pensando em que saídas seriam essas, mas confesso que hoje tenho poucas clarezas. É sobreviver nesse mundo tentando ser o menos incoerente possível, mas com a humildade de admitir que tava errado e reconstruir o caminho. Vamo que vamo!

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