Violento

Um grito, um soco no peito.

Parece que no alto daquele andar há um fio suspenso.

Um cego, um rio, os carros que buzinam numa inútil tentativa de abrir caminho.

Olhos azuis, olhos vazios.

Quantos andares até os pés tocarem o chão?

As portas estão bem trancadas, ao lado um senhor idoso mal lembra o próprio nome.

Há janelas abertas e luzes acesas no prédio em frente.

As mãos se estendem na tentativa de manter, no fim, o caos.

Fecho os punhos, danço no vento, conto os silêncios até que as luzes vermelhas e azuis invadem meu corpo já frio.

Não há mais tempo, o tempo se vai, o tempo acaba, não há mais.

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