Quase poesias: I

Olá. Essa é a primeira parte de uma série de caraminholas: as quase poesias. Quero deixar registrado aqui um pouco (e aos poucos) das minhas tentativas, talvez vãs, de expressar sentimentos. Tenho um repertório relativamente grande pois escrevo há aproximadamente 3 anos. O título é quase poesias, pois não me vejo como uma “rendeira” da arte que a poesia é.
Para começar irei postar 3 quase poesias; a primeira é sobre como me sinto cotidianamente. A segunda, sobre o próprio fato de escrever. E, finalmente, a terceira, sobre os momentos de ócio depois do dia esfriar.
I
Das horas mais extravagantes
E momentos mais inoportunos
Quando estão todos em seus picos
Indo de um lado ao outro
Conversando sobre os dias próximos
E sobre os idos também
Estou eu
No meio de todo rebuliço
Como quem não quer nada
E até ousa olhar de canto
Aproveitando toda inocência lhe concebida
Para enfim, furtivamente,
Extrair uma migalha da própria mente
II
Não posso escrever com medo do próprio sujeito da minha ação
Nem mesmo me liberar com a condição de deslumbrar
Só o que posso é sentir para mim
Sem engano, sem cena
Tudo que me prende dentro deste ato
Me faz a jaula dentro do próprio âmago
Sem riso, só sorriso
Quando por dentro só corrói
Aquilo que um dia mandaram ter tanto primor
E de tanto se preocupar,
Não é que tinham razão?
Lá se vai o calor.
III
Internamente borbulhando
Externamente vegetando
Fugazes chamas de atenção
Longos suspiros de apreensão
Suavemente fazendo o tempo passar
Como se nada tivesse a zelar
Tanto a se fazer
Zero querer
Obrigada pela leitura.
