Quando acabou eu não tinha muita perspectiva. Parecia que eu ia me afogar num mar de sentimentos – aliás, os sentimentos eram eu mesma, eu era onda, não marinheira. Aprendi essa analogia com o meu terapeuta, que sempre me fala pra não esquecer que eu não sou o mar. Eu tô no barco, as ondas, por maiores que sejam, passam por mim… E vão embora.
Nem sempre é fácil perceber isso. As vezes eu ainda me sinto mar. As vezes ainda parece que esse buraco que ficou no peito não vai ser preenchido – nem por mim e nem por ninguém. Mas aí eu me foco nisso: eu sou marinheira, não o mar.
Quinta foi um dia muito ruim. Fechou três meses que esse ciclo da vida encerrou e, sinceramente, ainda dói bastante. Quinta também era um dia especial pra ele, e doeu não estar junto pra aproveitar isso. Passei o dia triste. Chorando. Pensando.
Parece que as amigas sabem quando tu mais precisa delas, e, nesse dia, encontrei algumas daquelas amigas que é impossível parar de rir enquanto tu estás junto.
Um dia antes, eu precisava muito tomar uma cerveja, e as minhas novas amigas da turma de canto foram incríveis ao ficar ali comigo. Me fazendo rir depois de um dia muito intenso.
Esse revezamento, que as vezes eu acho que elas nem percebem estar fazendo, é essencial pra ajudar a elevar a energia de qualquer pessoa. Acho que mesmo nos meus dias ruins, até eu consigo dar energia nesses encontros catárticos que tenho tido.
Tem uma cena em um dos primeiros episódios de Friends em que a Rachel está passando pela primeira vez por dificuldades financeiras. Em algum momento ela se da conta de que isso pouco importa, porque ela tem aquele grupo de amigos pra apoiar ela. Ela tem feijões mágicos – aqueles, do João e o Pé de Feijão.
Eu queria, com esse texto, agradecer minhas amigas – e eu não tenho medo de botar gênero aqui, porque são elas, sim. Vocês têm sido além de incríveis comigo.
Eu não sou mar, eu não sou onda, eu não passo.
Eu sou marinheira e não me afogo, as ondas passam por mim.
Eu tenho feijões mágicos.
