Os amores que já tive

Para começo de conversa vou confessar que esse texto é inteiramente clichê, trata de toda aquela coisa de o que é o amor e blábláblá. Minha vida inteira acreditei que amar é cuidado e proteção, aceitar a pessoa como ela se manifesta ser, independente se é cheia dos defeitos ou das qualidades. Honestamente, tirando o amor que sinto pela minha família ou meus amigos, só amei duas pessoas durante vinte anos de existência e ainda acho pouco se formos comparar ao amor moderno em que as pessoas amam as outras a cada mês. O amor que menciono aqui é aquele que você sente pelo seu companheiro, seu amante. A primeira pessoa que amei de verdade, que pude sentir um pouco da reciprocidade, foi de um rapaz, atualmente meu melhor amigo, uma pessoa excepcionalmente incrível, mas não foi do jeito que eu gostaria que fosse. O amor que ele sentia e ainda sente por mim é aquela afinidade, aquele respeito, aquela coisa meio de irmão e eu tenho um de sangue. Eu nunca tive alguém, especificamente um garoto, que me aceitasse como eu sou, com todos os defeitos físicos que antes tinha, um olhar vesgo e aparência nada dentro dos padrões da sociedade. Foi de se esperar que eu ficasse tão encantada com ele e até mesmo nas nossas brigas mais bestas ainda sentia algo intenso. Então chegou o dia em que finalmente consegui enxergar o que era esse amor que sentíamos um pelo outro e ainda sentimos. Como mencionei, era amor de irmão, nada mais.

O meu segundo amor foi mais intenso que o primeiro, mais devastador e dramaticamente mais doloroso. O primeiro durou cerca de dois anos e foi superado quando conheci outro rapaz, um ano mais velho que eu. O primeiro, que hoje em dia é meu melhor amigo, alguém que não troco a amizade nem por um bilhão de reais, era um ano mais novo. Esse segundo foi realmente o mais perto do que eu poderia imaginar do que seria o amor. Ele também me aceitou como eu era fisicamente e me proporcionou momentos inesquecíveis. Além de me ensinar a amar, o meu segundo amor foi quem me mostrou o prazer, a sensualidade, a loucura, coisas que serei eternamente grata, mas ele também trouxe problemas psicológicos. Eu estava intoxicada por ele no sentido de não saber tirá-lo da minha vida quando deveria ter tirado, então deixei que permanecesse e a cada vez que o via e percebia as suas atitudes eu só machucava a mim mesma. Pausa para respirar. Foi uma fase difícil do meu ano. O ponto máximo que esse amor que eu sentia por ele chegou foi na comemoração dos meus vinte anos, exatamente o começo da segunda casa da vida. Era para ter sido um momento especial, com todos os meus amigos que amo e ele. Havíamos feito um acordo íntimo entre nós dois, mas tudo acabou em ruínas. Saí machucada e levei comigo pessoas que se envolveram de modo indireto nesse acordo, algo que deveria ter sido apenas entre nós dois, direto ou indiretamente. Quando lembro da minha festa ainda consigo sentir tudo outra vez, a decepção, a angústia, a raiva. O meu segundo amor sempre deixou claro que não me amava do jeito que eu gostaria, mas ainda assim tive esperanças de fazê-lo mudar de ideia. Ele jamais mudou. Decidi que apenas queria do meu segundo amor a sua proteção, os seus cuidados, mais momentos que me fizessem bem, mas ele interpretou errado, achou que eu quisesse a sua exclusividade e fez a pior coisa que poderia fazer com alguém que o amava tanto quanto já amei, decepcionar no dia da comemoração de aniversário.

Então, fiz o maior esforço para me afastar de toda a toxicidade que o meu segundo amor me provocava e hoje, já faz meses desde o dia em que tomei a decisão de excluí-lo da minha vida. Há dias como hoje que penso como poderia ser diferente se eu não tivesse me importado tanto com as suas atitudes em meu aniversário. Será que eu continuaria o amando? Provavelmente. De tantas outras pessoas que já passaram em minha vida, esses dois foram os que mais me deixaram sem chão, que me abalaram. Hoje em dia, não consigo mais sentir um amor tão intenso assim por alguém. Há uns até que passam pela minha vida, sinto aquele friozinho gostoso na barriga, aquelas borboletas no estômago, mas é passageiro, hoje em dia é algo mais chamado paixão. Nunca gosto tanto de alguém a ponto de se tornar amor e, por enquanto, a dúvida de não saber se isso é algo bom ou ruim não me incomoda em nada. Não vou mais procurar um amor que substitua outro, aprendi que a vida pode me proporcionar amores melhores do que esses que temos dúvidas e não vai adiante e quando vai é para trazer decepção, prefiro esperar, manter o coração calmo, focar em coisas mais importantes do que se preocupar em futuros amores.

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