Berlim, 26 de Dezembro de 2015, 17h34

Berlin on 24th December 2015

Sobrevivi ao Natal de 2015. Foi melhor do que pensava. Tenho sorte em ter a família que tenho e os amigos que tenho. Estou com um sorriso parvo na cara, porque as pequenas coisas são os melhores presentes. Dia 24, as chamadas de Skype ao final da tarde e à noite foram mais que muitas. Primeiro a minha tia Xana, enquanto a tia Elisa estava ainda na cozinha, nos preparativos para a ceia. Falei com elas e com a minha prima Catarina. Foi bom vê-la finalmente sorrir e poder conversar (a família sabe do que falo). Pouco depois ligou a família da Parede 😉 e fizeram-me companhia durante aquele fim de tarde. Ficamos ligados a noite toda. ❤ diz tudo, não diz? Boa gente. Por fim, os meus pais ligaram. Jantamos juntos (por Skype), vimos um filme juntos (viva o live streaming!), bebemos vinho e abrimos presentes juntos.

Mais uma vez, pequenas coisas. A cara dos meus pais ao abrirem as prendas. Ao verem que este ano havia tantas para eles. Minhas e do meu irmão. Antes de vir para Berlim fiz as minhas compras de Natal e deixei-as ao meu irmão para as guardar. Ele completou-as com a sua parte e voilà!. Feliz Natal pai e mãe! Toda a vida os meus pais nos deram tudo. Quando digo tudo, é tudo. Não são perfeitos, mas amaram e amam-nos incondicionalmente. Deram-nos tudo. Carinho, apoio, o que precisávamos e o que não precisávamos. O que percebemos e o que não percebemos. Amor.

Acho que há uma altura em que a balança começa a inverter e sentimos necessidade de cuidar dos nossos pais de uma maneira que não cuidavamos ou sentíamos anteriormente. Acho que o nosso próprio instinto maternal ou paternal começa a despertar e começamos a agir como pais dos nossos pais (à excepção do controlo de entradas e saídas de casa ou dos sítios onde vão… hehehe).

O dia 25 foi para mim um dia de Natal diferente. Almocei em casa de uma amiga que conheci no trabalho e passei a tarde com ela e com o seu marido. Vieram os dois da Índia para trabalhar em Berlim. Pessoas excepcionais, com quem se pode conversar bem, inteligentes e com os braços abertos para receber outros na sua casa. Cozinharam caril de borrego, um arroz com soja, bastante e deliciosamente condimentado, ainda acompanhado por grão de bico, temperado com coentros. Contra as minhas expectativas, bebemos vinho tinto. Não é um tipo de vinho que aprecie particularmente, mas aquele vinho (talvez italiano) escorregou mesmo bem. Passamos uma tarde muito agradável. Para alguém numa nova cidade há tão pouco tempo, acho que não podia ter tido um Natal melhor.

Hoje deixei-me ficar na cama até me doer o corpo e não dar mais para estar deitada. Lavei a louça que deixei acumular desde dia 24, tomei banho, almocei e perto das 16h saí para o meu já habitual cappuccino de fim de semana, no centro da cidade. Um café onde vou desde que cheguei a Berlim há um mês atrás. Lembrei-me agora, que faz hoje exactamente um mês que voei para cá. O tempo voa também. Aqui sou habitualmente recebida por simpáticos venezuelanos (3 raparigas e 1 rapaz), uma italiana e, por vezes, um alemão e uma alemã que atendem os pedidos. Já me conhecem e a atmosfera é descontraída e amigável. Não sabem o meu nome e eu não sei o deles. Se calhar é melhor assim. A verdade, é que me sinto bem aqui. Assim. Sem saberem o meu nome.

Esta semana, passado um mês e uns dias, volto ao aeroporto de Schönefeld. Desta vez para aterrar em Dublin, a minha segunda casa. Lembram-se da história de “casa” não ser o edifício, mas sim as pessoas que temos? Este é um desses casos. Não pude estar com a minha família no Natal, mas, pelo menos, vou começar 2016 com parte dela. E que ano aí vem! Mal posso esperar! Bring it on 2016!

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