Número de penalidades contra professores da UFMT caiu pela metade

Apenas metade dos professores são punidos em Processos Administrativos Disciplinares (PAD’s). Em 2016, de 14 processos somente 3 foram punidos.

Texto: Lázaro Thor Borges

Em três anos foram protocoladas 44 denúncias contra professores na Pró-Reitoria Administrativa da Universidade (Proad-UFMT), o setor responsável pela tramitação dos PAD’s. Apenas metade desses processos administrativos disciplinares (PAD’s) terminou em punição.

O levantamento feito pelo Sô Foca, com dados fornecidos pelo Portal da Transparência do Governo Federal, mostra que de 2014 a 2016 houve uma redução significativa no número de processos, além de um constante aumento no número de professores absolvidos. (Veja infográfico).

A sensação de que professores sairão impunes de denúncias é uma constante entre os estudantes. Além da relativa demora nos processos e o obscurantismo da tramitação, pesa contra os discentes o medo de represálias.

“Não é fácil denunciar alguém que te dá nota”, diz Joana, uma estudante do curso de medicina que teve o seu nome alterado para preservar a sua identidade.

“Esse professor encontrou um colega no corredor e falou do cabelo crespo dele, disse que se aparecesse com o cabelo daquele jeito na aula não era nem pra ir. No dia seguinte, o cabelo deste colega estava bem molhado, com os cachos definidos e o professor falou algo como ‘agora sim, muito melhor do que aquele cabelo que parecia de fugitivo da Cracolândia. Parecia que a polícia deu uma batida na Cracolândia e você saiu correndo’ ”, contou.

Mas nem todos denunciam. Outro estudante de medicina narra uma história ainda mais assustadora, que, apesar de tudo, não foi denunciada à administração superior. Durante a aula no mesmo curso o professor teria se expressado de maneira racista.

“Ele falou que o irmão dele [do professor] tinha um cassetete racista, que era tão louco que o irmão dele precisava segurar o cassetete com as duas mãos enquanto batia no preto, e juntavam duas ou três pessoas batendo no preto. O pior é que ele interpretava tudo isso com um tom sarcástico, foi bem tenso”, conta Alberto, que também teve seu nome alterado.

Penalidades

Os motivos dos PAD’s são diversos: vão desde apropriação de aparelho data show, até assédio moral e acúmulo de cargo. Mas o “objeto de apuração” mais recorrente na Proad é referente a professores que possuem empresa em seu nome ou ocupam cargos de direção em alguma organização privada.

Não foram encontradas punições contra os casos de preconceito e assédio.

A UFMT tem hoje cerca de 34 mil alunos e 1904 professores em sala de aula entre concursados e contratados.