No frio de junho, o Arraial da Favelinha aquece

texto e fotografias: Sô Fotocoletivo

Na noite de sábado, 25, o Arraial da Favelinha, na maior favela da capital mineira, esquentou a noite fria. Teve quadrilha junina, apresentação dos Passistas Dancy e Passistas Mirins, com o Passinho Foda, e uma canja de funk pra quem desejou se expressar no microfone. Teve canjica, mingau e caldo de mandioca pra encher a barriga. E teve quentão! Era só virar a esquina para comprar. Ou aquela cachaça da boa no bar em frente ao centro cultural, segundo indicações.

Promovido pelo Centro Cultural Lá da Favelinha, o Arraial uniu, naquela noite, o morro e o asfalto. A conexão transcende as diferenças sociais para unir pessoas em prol da cultura, do afeto e da música. Crianças, jovens e adultos fechavam a rua no embalo do forró e do funk. Foi uma mistura só! Do arrasta pé aos passos coreografados, o som alternava entre os ritmos, e ninguém ficou parado naquele frio. A música embalou o frio de sábado, no alto do morro e as bandeirinhas juninas balançavam em ritmo acelerado.

E teve casamento da roça. “A noiva já chegou!”, exclamou Kdu dos Anjos, um dos idealizadores do centro cultural, que há um ano e meio leva oportunidades para crianças e jovens da comunidade da Favelinha, no Aglomerado da Serra. E assim, começa o casamento. Dizia Kdu, porque esse é o Arraial… E todos completavam: da Favelinhaaaa! É o Arraial…da Favelinhaaa! Escutava todos dizerem com o sorriso no rosto e concentração para não errar o passo da quadrilha junina.

Apesar dos contratempos: “uai, mas ele vai casar é comigo.” “Não vai não. Ele vai casar é com minha filha.” “Espera aí gente. Nessa época de crise, a gente tem que dividir a carne.” Essa é uma parte do diálogo bem humorado, da pretendente ao casório, do pai da noiva e do noivo, naquele casamento da roça, no alto morro.

E teve homem vestido de mulher, e mulher vestida de homem. Os casais giravam na roda da quadrilha, garotas balançavam seus vestidos e os homens com seus chapéus de palha, a rigor.

Após as danças juninas, o baile se formou. Quando tirava o funk do som, dando lugar a outro estilo musical, o coro foi uníssono: aném… E assim a noite de sábado dava lugar ao começo da madrugada de domingo, com gostos juninos na boca, devido aos quitutes, e o cheiro de fumaça na roupa, herdado da fogueira improvisada que queimou durante a festa do Arraial.