esfrega

esfrega, esfrega, esfrega.

se sente suja, e tenta arrancar isso com a esponja do banho. marcada por todas as mãos que passaram por ela, por todas as escolhas ébrias porém conscientes que fez para tentar preencher um vazio que não vai embora. um vazio que não se completa com álcool, não se completa com bocas alheias.

o rastro de fogo que deixaram em seu corpo parece feito de pecado, feito de erro, feito de lixo.

esfrega, esfrega, esfrega. o nó na garganta e a pele cada vez mais vermelha, mas não se sentia limpa e só conseguiria parar quando estivesse limpa.

sabia que era insano, que não fazia sentido, que deveria só deixar ir. mas como deixar ir algo que não era ela e não era dela mas parecia querer fincar em sua pele feito brasa, feito tatuagem?

se livrar da sujeira antes que fosse tarde demais. era isso ou mais nada.