paraquedas:

correntes sem correntes não apontam direções

eu ainda consigo lembrar de quando intensidade era só advérbio. depois, quando virou algo em física. mas me escapa a memória quando foi que "intensa" virou característica.

me falha a memória porque eu sempre fui muito. eu sempre senti muito, eu sempre me doei muito. não sei ser metade. é oito ou oitenta, é take it or leave it, é tudo ou nada. 
me entrego mesmo, mergulho de cabeça mesmo. não sei ser comedida, não sei sentir sem demonstrar, não sei o que é não querer gritar pros quatro ventos minha felicidade e meu amor.

uma poeta indiana que eu gosto muito diz:

faz parte da
experiência humana sentir dor 
não tenha medo
abra-se

mas eu colocaria de outra forma: faz parte da experiência humana sentir. não tenha medo, abra-se!

eu já tive muito medo. já me assustei com as lágrimas, com as gargalhadas, com as demonstrações de um afeto que eu nem sabia que sentia até sair de mim pro mundão. 
hoje não mais. 
hoje é sem medo comigo ou sem mim.

vou continuar abraçando o mundo com as pernas - e tudo mais que eu tenho.

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