relato de viagem
24 de agosto de 2017, às 03:25: à caminho de volta pra minha terra, em mais um dos meus acorda-dorme-dorme-acorda intermináveis, eu me deparei com uma cortina afastada que dava espaço para um dos céus mais estrelados que eu já presenciei na minha vida.
as minhas velhas conhecidas estavam lá, me cumprimentando como velhas amigas e me lembrando da época que eu achei que um dia iria diferenciar a ursa maior da menor num piscar de olhos, mas haviam tantas novas, piscando e brilhando, simpatissimas como se sorrindo pra mim e rindo do meu deslumbramento. “eu sempre estive aqui!”, elas diziam.
sabe quando você vai num planetário e deita lá, apreciando a vista e implorando que, pelo amor de todos os deuses, aquela voz do além que te explica sobre a constelação de leão no céu cale a boca e te deixe desfrutar de algo que você quer muito ver a olho nu, mas nenhum céu já se comparou aos milhares de pontinhos que você vê num planetário? eu me senti num planetário. e dessa vez era de verdade. dessa vez não tinha voz do além e linhas se formando do nada. era só eu e as estrelas.
quantas vezes eu já fiz o caminho campina-maceió — maceió-campina e nunca parei pra imaginar o universo que uma simples cortina me escondia? quantas vezes eu perdi essa visão por muito, mas muito pouco?
há mais maravilhas nesse universo do que você imaginaria. talvez, afinal, tenha esperança. talvez a vida seja muito mais do que esse emaranhado de situação ruim, esses buracos que a gente se mete, nó na garganta e choro que não sai. talvez pouquíssima coisa te separe (me separe, nos separe…) de apreciar a beleza dum céu estrelado que sempre esteve ali, só nunca foi notado.
há mais maravilhas nesse universo do que você imaginaria.
