Argumentos sobre o Fascismo e seu lugar
O argumento feito pelos socialistas-marxistas é que o mesmo repete o controle feito pelo capitalismo, criando a ilusão que no estado fascista e no nacional-socialista o indivíduo teria a mesma liberdade que no mundo capitalista.
Puxando o primeiro caso do fascismo italiano e direto da Doutrina Fascista de Benito Mussolini vemos que é claro a negação ao liberalismo e ao comunismo porém não é negado o socialismo que o mesmo já fôra um bom milico.
Ele fazia parte do Partido Socialista italiano, da ala radical foi auxiliado monetariamente pelo serviço de inteligência inglês para fazer propaganda e promover a entrada da Itália na guerra, isso gerou uma grande divisão no partido socialista entre os radicais e pacifista que hoje compreenderíamos como “nacionais-socialistas” e “marxistas-leninistas” tanto que essa compreensão pode ser vista na futura divisão do próprio partido de Mussolini, para onde ele levaria os membros que o apoiavam e italianos fora do partido criando um novo, que ainda não teria cara de partido mas era o preâmbulo do Partido Republicano Fascista, o Fasci Italiani di Combattimento(Ação Fascista Revolucionária).
Na divisão entre nacionais-socialistas e marxistas o que causava essa divisão era justamente a questão da Grande Guerra. Mussolini tentava criar uma teoria nova que viesse unificar a Itália nesse grande esforço nacional para a Primeira Guerra, buscando aspectos patrióticos mesclados a bases do socialismo. O movimento ganhou força e levou a Itália à guerra, mesmo sendo nacionalistas o boca grande se manteve fiél aos patrocinadores e somente viraria as costas para a Entente quando a Itália fosse traída, não recebendo quase nenhum benefício no fim da guerra.
As crises nacionais e globais do sistema de troca sempre abrem mão para criação dessas “novas” visões de mundo que num geral são buscas de defesa, seja do patrimônio nacional ou privado, elas vem justamente com o fundo de ódio e medo(não que isso seja ruim, mas é a razão para elas explodirem tão rápido como explodiram)na busca de reerguer uma glória romântica, talvez nunca alcançada, talvez sim mas extremamente idealizada.
O movimento, sendo novo, aparentava ser mais uma direita autoritária populista, principalmente para imprensa socialista da Itália que era extremamente forte. Hoje consegue tranquilamente com relatos e com a análise da prática dessas teorias perceber que o mesmo se enquadrava muito mais na esquerda que na direita.
Porém o sistema de Benito Mussolini conseguia, assim como o de Adolf Hitler, reerguer nações destruídas, com enormes débitos fazendo milagres econômicos que são mágicos como medicina alternativa, o que faz pessoas até hoje flertarem com o mesmo, principalmente caindo no conto de que tais doutrinas são da “direita” justamente porque, como dito anteriormente, os jornais, partidos e intelectuais socialistas não iriam querer se alinhar com não marxistas, especialmente naquela época e posteriormente, na divisão entre linha dura e revisionistas, após o estrago feito na (2ª)Guerra Mundial.
O controle exercido pelo estado na proposta de Benito é que o mesmo não deve controlar os meios, a propriedade privada(somente em alguns casos), e sim a relação entre eles também propunha a antítese à luta de classes, a colaboração de classes.
Por mais que seja feito o argumento que pelo menos em seus primeiros anos Mussolini foi em prol do liberalismo econômico(laissez-faire), o mesmo foi usado justamente para permitir a consolidação de grandes empresas fazendo que com os monopólios adquiridos e oligopólios formados durante essa total desregularização, pudessem ser englobados dentro do grande projeto estatal.
Após a grande desregulamentação viria a extrema burocratização das relações entre os meios de produção e consumidores. Isso traria o estado fascista que tenta se diferenciar do capitalismo de estado, trazendo um aspecto “moral” para o capitalismo, com as políticas sociais que o mesmo propunha mas ao mesmo tempo durante o esforço de guerra ele preferia a eficiência bruta que transformava todo esse maquinário num moedor de carne.
O mesmo propunha que o próximo estágio após a criação do seu capitalismo de estado, consolidado após a conquista do espaço vital, seria inevitavelmente o “socialismo de estado”, onde o mesmo estaria controlando não só a relação dos meios de produção, mas os meios também.
Isso é consequência da extrema burocratização das relações, nas palavras de Mussola. O estágio de Estado Socialista teria as características econômicas paracidas com o que foi chamado de Kruchevismo, a consolidação das empresas dentro do estado, mantendo a competição entre elas mas de maneira controlada.
A segunda proposta joga Mussolini bocado para o centro numa primeira vista, porém o mesmo repete algo que Hayek já ilustrava sobre a relação de controles econômicos levarem a controles sociais e um construir o outro lentamente: essa é a base da ideologia italiana.
A colaboração de classes não se passa de um nome bonito para escravidão conscentida, aonde “se todos aceitarem ser escravos, tudo funciona bem”. Seguindo uma lógica que se não houver a colaboração o estado de miséria se manteria e somente por meio dela que seria alcançado o dito estado fascista, que não era um de facilidades, porém de menores dificuldades(nos sentidos de pobreza e miséria) mas somente restaria ao italiano os desafios de alcançar o infinito.
A propaganda da area social seria a mesma feita na Austria, que contava aos austríacos que a Alemanha Nazista era um paraíso aonde a grande colaboração de todos os cidadãos levaria ao sucesso, porém quando anexados taxas que beiravam os 70% e 18 horas de trabalho foram entregues aos austríacos.
Em resumo: O terceira via de direita é quase um mito, algumas exceções dentro dela como já discuti com um colega meu sobre por exemplo o integralismo, beiram o centro numa visão rasa das implicações das políticas propostas. Porém os controles econômicos levam a fomentação de controles sociais mais severos, fazendo com que nas brechas dos manifestos, doutrinas e discursos que negam nomes parecidos mas deixem vaga a ala por onde passam: o socialismo e doutrinam com a propaganda, como era feito em Praga, “como é bom o caminho para a servidão”.
Já que é de pouco a pouco ou nas paixões e necessidades que cedemos as nossas mais importantes liberdades.
“And whoever controls all economic activity controls the means for all our ends, and therefore will decide which are to be satisfied and which not.”
— Frederick Hayek
