O ciclo da centralização de poder

Ontem, numa conversa até amigável com fascistas, discutimos o porquê o fascismo e socialismo são inviáveis. Eles tentavam nos convencer que o fascismo daria certo porque era temporário, era a necessidade de ordem, porém ainda mora a grande arapuca.
Muitas vezes o fascismo vem bem apresentado, assim como o comunismo era antes de ser praticado. Porém os dois falham da mesma maneira que o comunismo: na concentração de poder.

Dentro das comunidades de chimpanzés quando um Alfa concentra o poder, ele pode até durar algum tempo, mas basta dois mais fracos para derrubá-lo e quando ele é derrubado um dos atos mais violentos acontece: as facções que o defendem tentam manter ele no poder e os que estão junto aos dois mais fracos tentam tomar o poder.
Perceba que o cenário de quando Hitler se retirasse do poder, como ele prometia após reunir os alemães, haveria um grande conflito porque:

  • 1º As políticas de Lebensraum seriam desastrosas para estabilidade
  • 2º A Wehrmacht tinha uma facção que queria matá-lo e proteger o território do Império Alemão, negociaram paz com os aliados evitando grandes dívidas.
  • 3º Os leais a Goebbels não deixaram barato que Goering subisse ao poder, mesmo que prometido.

Essas crises de sucessão são muito complicadas em governos centralizadores porque quando um líder morre, sem deixar alguém apontado, para o suceder e não consegue fabricar uma boa sucessão ele cria um vácuo de poder. E é isso o que quase vimos quando houve a morte de Lenin, porém a sucessão era dada pelo apoio do partido que já havia fabricado para Stalin e com o Grande Purgo dele nas elites conseguiu por um tempo estabilizar, mas aí vem a outra questão: a economia.

Esses países somente sobreviveram com auxílio do mundo capitalista, não veja o capitalismo como algo moderno mas aonde há livre troca de mercadorias, que compravam seus produtos.
Porém a questão é que quando a economia da URSS foi estrangulada e conseguiu por um tempo sobreviver, já que o poderio da Rússia sempre foi grande mas inexplorado por problemas da aristocracia e os governos extremamente centralizados que tiveram.

Ela durou até 1991 quando, seja por culpa ou seja naturalmente, Gorbachev colocou a URSS na cova que deveria.
O fascismo passaria pelo mesmo processo mas com seus específicos, talvez ruiria mais rápido, talvez durasse mais e ocorresse o que se pensava, voltariam para um democracia de livre mercado. Mas ainda sim, é muito utópico o passar do “anel de poder”, o dar poder aos outros.

A transição e o “passar o anel de poder” foi um exemplo interessante e foi minha razão para justificar o porque precisamos de uma Monarquia Parlamentarista que tenha um entre meio entre o estilo Prussiano e o estilo Inglês. Pouco conhecem o prussiano, mas num excerto do discurso “Ferro e Sangue” de Otto von Bismark, podemos entender como o mesmo funcionava:

“Um abuso dos direitos constitucionais poderia ser assumido por qualquer um dos lados; Isso levaria então a uma reação do outro lado.
A Coroa, por exemplo, poderia dissolver o parlamento doze vezes seguidas, o que certamente seria permitido de acordo com a Constituição, mas seria um abuso.
Além disso, talvez possamos ser muito educados para apoiar uma Constituição. Somos muito críticos. A capacidade de reagir as medidas governamentais e os registros da assembléia pública é muito comum. Principalmente num país há um grande número de personagens dignos de conspirações catilinárias, que têm um grande interesse em revoltas.
Isso pode parecer paradoxal, mas tudo prova a dura vida constitucional na Prússia. Além disso, somos muito sensíveis aos erros do governo, como se fosse o suficiente dizer que o primeiro ministro cometeu erros, como se o povo não fosse afetado.”

Vemos que hoje o Brasil está passando por uma situação parecida, somos sim em momentos como esse muito sensíveis a propostas do governo, a revolta só não é tanta e escalada para algo grave porque ela mora no nosso discurso.
Porém perceba o balanço que a mesma tinha, ela permitia o erro do monarca, mas garantia que aquilo teria consequências para ele, seja uma abdicação forçada ou até um pusht para tirar ele do poder e por outra pessoa.
Muito é feito pela “didática” para mostrar que a nossa constituição de 1824 era ruim, porém ela foi feita para um país que não fosse passivo como tenta ser moldado até hoje.

Tínhamos o Partido Liberal que era extremamente reacionário com relação ao Partido Conservador, as críticas de um para o outro eram super comuns e ativas, isso fazia com que o conflito no Parlamento gerasse uma dialética saudável para o progresso do país.
Uma acusação de corrupção, já citei várias vezes, era acusar de homicídio. Porque isso para qualquer parlamentar ela motivo de renúncia por pressão do partido ou da própria consciência. Hoje temos uma democracia que tenta se igualar a isso, esses debates quentes que ocorriam no parlamento eram uma das maneiras dos ingleses resolver os problemas, lá eles resolvem junto com humor mas sempre, até nas piadas, os mesmos são sérios.

Eis então que essa conversa voltava para o Brasil, por mais que fossem americanos e um espanhol, citava o caso de adaptação do sistema e a necessidade de uma mão forte que se forçar demais possa ser rebatida.
Isso o nosso presidencialismo faz, de uma maneira estranha, ao mesmo tempo que ele bate, apazigua. Porém isso uma hora cansa, estamos na 4ª geração dessa república e agora paramos pra perceber que a ordem das ditaduras fazia parte do processo republicano assim como a desordem e o caos sócio-econômico.

Começamos a ter o sangue quente prussiano mas ainda precisamos do conservadorismo, o saber esperar e buscar uma solução de meio termo que não venha nos desestabilizar. Por isso hoje a monarquia cresce nas discussões, larga de ser piada e começa a ser algo sério, passa a ser algo que é viável.
Partidos como PV, já defendem abertamente o parlamentarismo, é o primeiro passo. E ainda Senadores de diversos partidos já apontaram que sim a monarquia constitucional com moldes de 1824 ainda é viável para resolução da crise.

O plano do socialismo precisava de 6 gerações, o fascismo de 2 bem doutrinadas para manter o progresso. Nossa república tentou em 4, e já na primeira e com seus fundadores já havia falhado, já não havia legitimidade para tal.
Porém a grande questão é que uma hora a mentira, a utopia, morre e o sonho acaba, tal não acaba numa Monarquia Parlamentar Constitucional porque a mesma não precisa de sonhos, a mesma não precisa de uma utopia para sobreviver. Talvez os partidos do parlamento precisem, mas eles são o governo e o Imperador é o estado, o mesmo não precisa montar uma utopia para que se legitime o mesmo se legitima assegurando a continuidade e o bom funcionamento, arrancando os galhos secos e as sanguessugas, do governo.
Na monarquia que sugerimos, o 4 poderes estão sempre em cheque caso cometam algo, eles são livres para endividar nosso país, porém não farão tal sem pensar nas consequências.

Um endividamento por parte de uma má escolha de Ministro da Fazenda, feita pelo Imperador, pode sim levar a uma pressão para abdicação do mesmo ou que simplesmente mude o ministro. Tal também vale para as decisões do STF, do Senado e do Parlamento, porque as pessoas que estão neles não tem porque se apegar ao poder já que a dinâmica entre os mesmos é comum, a única coisa que se apega é fazer o que tem que ser feito assim o mesmo se mantém no poder, já que descumprindo e abusando de tal a reação é imediata.
No parlamentarismo monárquico valem mais as instituições já que a pressão que os outros 3 podem fazer em 1, contando 4 com o povo, não permitem que o mesmo que causa problemas se agarre poder

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