O homem que vendeu o mundo

Que fatídico dia de 6 de Abril. 19:00h~20:00h eu estava ouvindo sinais de radio da Força Aerea Americana, junto com outros seres anônimos não víamos que poderia dar em nada, nem que poderia dar em tudo. Era sempre um talvez, talvez esses três Skykings sejam somente um treinamento, talvez o “DO NOT REPLY” também seja parte do treinamento.
Até que, naquela thread, postam o print de um tweet de uma das repórteres do Pentágono, que eles não deveriam se preocupar com o sono aquela noite, segundo a Secretaria de Imprensa.

Aquele Skyking, depois se tornaria um ataque feito a Assad. O mesmo foi de pouco impacto, “Cirúrgico!” elogiava a Grande Mídia, quando um elogio foi feito a Trump pela Globo News foi quando percebi que ali ele morria, ali morria o Trump que foi eleito querendo drenar o pântano do “deep state” e que degladiava contra a mídia.

“Alguns trumpistas”, conhecidos como população que elegeu o presidente, “não gostaram”. Ao redor do mundo, não há aprovação para isso a não ser na Grande Mídia e na OTAN, e até mesmo dentro da Organização há discordâncias.

Por que atacar um presidente que tem uma imagem de defensor da laicidade no Oriente Médio? E que, mesmo alinhado com a Coreia do Norte, conseguia trazer um pouco de paz e estabilidade, um secularismo ocidentalizado ao Oriente Médio sem que o mesmo perdesse suas raízes.

A Síria mantinha suas raízes políticas no socialismo árabe, uma das tentativas de secularizar a região e trazê-la para o cenário mundial como independente das grandes potências.

Não é por isso que devemos idealizar Assad, mas ao ver o que é feito pela Grande Mídia americana que distribui a notícia para o mundo de maneira tão falsa, começamos a ver que idealizá-lo não seria tão errado.

O regime de Assad agora é pintado com o sangue falso de crianças que atual para fotos que nos horrorizam, de homens que se deitam em meios aos escombros para simplesmente tirar uma foto mostrando que os capacetes brancos da ISIS são humanos.

Um completo circo, manipulando as nossas próprias emoções e até senso de crueldade.

É algo esquecido mas lembro até hoje, quando tinha o luxo de ficar assistindo TV antes de dormir. Uma entrevista de uma médica síria na Band aonde os três entrevistadores tentavam atacar a imagem do governo Assad e tentavam começar a sujar a imagem dele no Brasil. Mas a senhora sempre conseguia desmentir os fatos fabricados que eles tentavam repetir.

Nesses próximos anos à entrevista, quiçá no mesmo, já ouvia os rumores e conseguiria fontes para confirmar que os supostos “rebeldes” na verdade eram mercenários sauditas e americanos explorando o petróleo daquela região que até agora não poderia ser, já que na Síria o petróleo é explorado somente pelas estatais e nas quantidades para suprir o país, isso sendo bom ou não: o que importa para entender a questão é o conflito de interesses Sauditas+Americanos x Nacionais sírios + Russos.

Não havia citado os russos na história ainda, os “vis ursos polares comunistas comedores de criancinhas”, Putin tinha um projeto de gasoduto Síria-Iraque-Iran que traria uma grande vantagem para esses três aliados de Putin na briga que ainda era somente geopolítica e de recursos.

Para McCain e os Sauditas o tempo de paz não deveria durar muito, era tempo de agir, primeiro começaram os Sauditas exportando sua visão radical do Islã por todo norte da África na fabulosa Primavera Árabe, aclamada por tantos no mundo, já que o que s mostrava de lá eram as belas obras de arte da Democracia Ocidental.

Até que a Irmandade Muçulmana começou a formar um bloco político em toda Região que se estenderia da Tunísia até o Egito e hoje tenta avançar para Síria.

Nada da primavera árabe foi bom, houve cá e lá um resultado mas ele só diminui o grande número negativo de derrotas que o povo, o cidadão comum, o proletário, eu e você se vivêssemos lá, tiveram. Foi uma revolução armada para arrancar as últimas resistências do socialismo árabe na região e de qualquer vertente oposta ao “livre comércio desde que eu tenha vantagem sobre você” conhecido como Globalismo*.

*(ou neo-liberalismo, que por ser uma palavra muito usada por socialistas brasileiros me absternho do uso desse termo)

Isso tudo contado até agora, foi só o início de um plano metódico, arquitetado desde 2006, que hoje só está sendo concluído. Os últimos relatórios da Organização pela Proibição de Armas Químicas(OPCW) em muitos momentos, desde quando a Guerra Civil foi forçada, visitava o país e em 2016 eles entregaram quase todas as suas armas químicas e até hoje o “Regime Sanguinário” só mantinha 4 de suas 27.

Segue abaixo o trecho que resume as últimas ações antes do atentado falso:

“The Secretariat has verified the destruction of 24 of the 27 chemical weapons production facilities (CWPFs) declared by the Syrian Arab Republic.
However, the poor security situation continues to preclude safe access both for the Syrian Arab Republic to destroy the remaining aircraft hangar, which stands ready to accept the explosive charges, and for the Secretariat to confirm the condition of the two stationary above-ground facilities.
On 19 December 2016, the Syrian Arab Republic submitted to the Council its thirty-seventh monthly report (EC-84/P/NAT.4, dated 19 December 2016) regarding activities on its territory related to the destruction of its CWPFs, asrequired by paragraph 19of EC-M-34/DEC.1.”

Aí se observa um grande problema: Há dois pesos para duas medidas, um padrão duplo, que é usado quando convém.

Os exames feitos que “atestaram o uso de armas químicas” foram feitos por um médico, cuja especialidade não me recordo, mas esse tinha ligações com atentados terroristas e organizações terroristas.

Já nos vem à cabeça que o mesmo produziria esse causus beli aos EUA e OTAN para se livrar dessas acusações, ou que as mesmas fossem deixadas debaixo do pano por um tempo.

A vilania e interesses pessoais desses grupos tornam Assad e seu regime um santo, que se pudéssemos pôr em números, prisão de opositores e outros não chega perto de permitir que a fênix do islamismo, fascismo fundamentalista religioso(“É o fascismo da nova geração!”), renasça e cometa as atrocidades como genocídio de kurdos, minorias religiosas, estupros em massa das mulheres desses grupos e das muçulmanas que não se submeterem ao fundamentalismo dos mesmos.

Porque os EUA não agiram contra a ISIS? E porque sugeriram que a ONU fizesse eleições no país para pôr a prova a legitimidade de Assad e sua popularidade? Tentar realmente começar um projeto de pacificação das populações árabes que são desde 80~70 empurradas entre os interesses de grandes corporações e companhias, radicalizadas em prol de gerar um capital sujo.

Chega a um ponto que não conseguimos apontar o pior, só o menos culpado.

É hora de perder a fé na humanidade? Não, é hora de entender quem é o real inimigo, não só de Assad mas de todos nós, numa narrativa quase marxista posso atestar que sim: São essas grandes elites, financeiras, que buscam desestabilizar o mundo, usando presidentes, criando revoltas. Tudo em prol do lucro, do lucro que não precisam, mas que querem e com isso, pouco a pouco se vende o mundo, presidente a presidente, guerra a guerra, revolta a revolta.