Por que a Monarquia?

O porque da monarquia são vários, além da mesma ter suas razões históricas para voltar. Com a crise atual, é um indício do fim de um ciclo, mais um.
Para entender o que é o que chamo de “ciclo” primeiro devemos caminhar pela história da nossa república que, ao longo do texto, vai descobrir que não é nossa.

A primeira república, em citação direta da obra “História sincera da República, vol. 2” de Leoncio Basbaum:

“A Inconsequência, a falta de lógica, nessa verdadeira comédia de absurdos começa com a própria proclamação.
O primeiro desses absurdos: Existe um partido Republicano, mas não é este quem proclama a República. Quem faz é o exército que, em seu conjunto, não é republicano.
[…]
Há ainda a orgia do dinheiro do papel pintado, o dinheiro impresso a granel, como novo proceso de enriquecimento rápido, descoberto no Brasil.”

Tal peça de ‘comédia de absurdos’ se mantém até hoje, tanto que os que acreditam que a República não é uma ré-pública, acreditam nas mentiras contadas pelo currículo comum da mesma e até chegam a normalizar os absurdos que ocorrem no estado.

Ontem, no dia 18 de Maio de 2017, faziam +/- 61 anos de uma das maiores crises da 4ª República e a última, já que com Goulart seria declarada a 5ª, uma que movimentou os corredores da capital como a de Temer movimenta até hoje, dia 19. Numa semana tivemos 3 presidentes, sim três em uma semana!(Quanta democracia!) E a ameaça quase iminente de um Golpe Militar, que adiantaria em quase dez anos o de 64, pelo Marchal Lott, inimigo de Vargas que por ter uma parte do exército em suas costas fez Getúlio cometer suicídio para evitar uma guerra civil.
Aqui a veracidade do suicídio ser benevolente ou por pura maldade não cabe, a questão é que um presidente nos primórdios da república, ontem e hoje concentra muito poder e o suicídio do mesmo levou a uma grande crise.
E o que mais assusta em ver observações falando que tais crises, que poderiam balcanizar(dividir em muitos estados) o Brasil, eram boas porque representavam um período de grande democracia.

Durante 128 anos essa eterna epifania é vivida, aonde crises governamentais são bons momentos simplesmente porque se adiciona democracia junto a elas para dar um tom de que no caos que as coisas funcionam bem. Porém essa verdadeira loucura é vivida não só pelos jornalistas mas por alguns historiadores que vivem tal a ponto de qualquer problema da república que possa ser posto para o “vil passado” é de alguma maneira revisado e chegam até a alterar as leis da física como já ouvi e vi colocarem Canudos, a revolta de Antônio Conselheiro, um monarquista, como um massacre feito pelo Império Brasileiro.

Pouco se fala do Império, que é o bode espiatório/“vil passado” do país e muito menos das peculiaridades de como foi o Golpe de 1889, aonde quase todos, tirando 1 ou 2 republicanos dependendo da fonte, ainda acreditavam que daria certo a república.
Os porquês não são geralmente contados e quando contados tem que ter o pano de fundo de como ocorrera na França:“Um monarca absoluto e tirano reinava o Brasil e a república nos libertou!”. É preciso criar essa história e tais mentiras porque o mero fato de dar acesso à informação dos diários de Dom Pedro II e até algumas cartas de Isabel com o Barão de Mauá, já fariam muitos mudarem de idéia sobre como era o Império.

Aqui apresento uma carta, descoberta em 2007 em meio ao arquivo do Memorial Visconde de Mauá RJ, que já vai fazer você ter uma idéia de como mentiam para você, a mesma rompe com as idéias de rivalidade entre Mauá e a Monarquia e mostra que Isabel tinha interesses e ambições para seu reinado que os socialistas que devendem a queda de reis só por causa da Rússia, mudarem de idéia:

11 de agosto de 1889 — Paço Isabel 
Corte midi
Caro Senhor Visconde de Santa Victória
Fui informada por papai que me colocou a par da intenção e do envio dos fundos de seu Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do ano passado, e o sigilo que o Senhor pediu ao presidente do gabinete para não provocar maior reação violenta dos escravocratas.
Deus nos proteja dos escravocratas e os militares saibam deste nosso negócio, pois seria o fim do atual governo e mesmo do Império e da Casa de Bragança no Brasil.
Nosso amigo Nabuco, além dos Srs. Rebouças, Patrocínio e Dantas, poderem dar auxílio a partir do dia 20 de Novembro quando as Câmaras se reunirem para a posse da nova Legislatura. Com o apoio dos novos deputados e os amigos fiéis de papai no Senado será possível realizar as mudanças que sonho para o nosso Brasil!
Com os fundos doados pelo Senhor teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas próprias trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos, realizando uma grande e verdadeira reforma agrária a quem é de direito.
Fiquei mais sentida ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seus bens, o que demonstra o amor devotado do Senhor pelo nosso Brasil. Deus proteja o Senhor e todo a sua família para sempre!
Foi comovente a queda do Banco Mauá em 1878 e a forma honrada e proba, porém infeliz, que o Senhor e seu tão estimado sócio, o grande e mui querido Visconde de Mauá aceitaram a derrocada, segundo papai tecida pelos maldosos ingleses de forma desonesta e absolutamente corrupta!
A queda do Sr. Mauá significou uma grande derrota para o nosso Brasil!
Mas não fiquemos mais no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar e realizar mais um pouco.
Pois as mudanças que tenho em mente como o senhor já sabe, vão além da liberação dos cativos e que seus sustentos sejam realizados de forma honrosa.
Quero agora me dedicar a libertar as mulheres dos grilhões do cativeiro domestico, e isto será possível através do Sufrágio Feminino!
Se a mulher pode reinar também pode votar!
Agradeço vossa ajuda de todo meu coração e que Deus o abençoe!
Mando minhas saudações a Madame la Vicomtesse de Santa Vitória e toda a família.
Muito de coração
ISABEL

A república tinha um único e simples objetivo: Travar as reformas de Isabel. A mesma era jovem e inspirada em pensamentos liberais como o sufrágio feminino, reforma agrária(veja que todo mundo que pensa em fazer é derrubado) e o que mais marcou sua personalidade: a abolição da escravidão.
A Questão Christie e o pressionar global feito pela Inglaterra para a abolição da escravidão sim influenciaram, mas somente para adiantar o estopim do que seria um grande problema para a governabilidade do Império: A Lei Eusébio de Queiroz.

De início se observar os que ela dizia é algo que não sabendo o contexto, era brando. Mas isso parava um comércio extremamente lucrativo, seria o mesmo que impedir transações financeiras por qualquer princípio ou motivo o resultado vai ser uma raiva imensa daqueles que se beneficiavam.
Assim como hoje, havia uma grande chance de se tornar um magnata, naquela época não da noite pro dia, porque levava tempo para trazer os escravos e negociar os mesmos.
Se observar os números, vai ver a razão para tal estopim de revolta: de 257 mil e alguns bocados, com a lei cairam no primeiro quinquênio de sua assinatura para 6.100!

Ainda depois disso, seriam puxadas pelo Imperador e pelo Parlamento, mais duas reformas que tornariam a escravidão quase inviável ao longo prazo. Porém quando Isabel, enquanto seu pai viajava, assinou a Lei Aurea e propôs junto aos abolicionistas no Senado um plano de auxilio monetário para os ex-escravos: aquilo era a gota d’agua.
A situação poderia ter se agravado mais se não houvesse a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, a campanha pessoal de Dom Pedro II pelo Brasil para recrutar soldados, Voluntários da Pátria, e a consequente vitória e ganho de territórios paraguaios pelo Brasil fez com que os regionalismos, que geravam frequentes revoltas, diminuissem e que as tensões que citarei entre os Liberais e Conservadores se amenizassem, porem não deixariam de existir.

As acusações de corrupção do Partido Liberal contra o Conservador geraram mais tensões, que já eram antigas e vinham desde quando o Partido Liberal perdera o poder no fim do período regencial.
Uma acusação de corrupção era algo grave já que, o Imperador poderia banir o parlamentar da vida pública, sendo as acusações provadas e o devido processo legal ter ocorrido, como especificado aqui, na constituição de 1824:

“Art. 101. O Imperador exerce o Poder Moderador
I. Nomeando os Senadores, na fórma do Art. 43.
[…]
Art. 53.O Poder Executivo exerce por qualquer dos Ministros de Estado a proposição, que lhe compete na formação das Leis; e só depois de examinada por uma Commissão da Camara dos Deputados, aonde deve ter principio, poderá ser convertida em Projecto de Lei.
[…]
VII. Suspendendo os Magistrados nos casos do Art. 154.
[…]”
 Art. 154. O Imperador poderá suspendel-os por queixas contra elles feitas, precedendo audiencia dos mesmos Juizes, informação necessaria, e ouvido o Conselho de Estado. Os papeis, que lhes são concernentes, serão remettidos á Relação do respectivo Districto, para proceder na fórma da Lei.

E sim é de 1824! Do Primeiro Reinado de Dom Pedro I. Não, ele não era um absolutista como contam e tentam pintá-lo. José Bonifácio foi um dos convocados para a constituinte junto a seu irmão que já tinha proposto uma constituinte em 1823.
A monarquia que aqui se estabelecia ainda tinha as raízes do luxo que os portugueses podiam viver, mas com o passar do tempo e no Segundo Reinado de Dom Pedro II a família real se tornou mais “pitoresca” tanto que era comum que o Imperador, além de exercer suas funções como a instituição de Imperador andava pelo Rio de Janeiro e tinha algumas amizades com os que moravam na cidade.
Porém, cá nesse texto não me cabe saudosismo e cultuar a personalidade de Pedro II cabe que disso se compreenda alguns mitos criados e que o governo Imperial não era organizado de tal forma absolutista como era o de Luis XV ou dos Tsares e Tsarisas.

E veja que mesmo que o Imperador tenha o poder de declarar guerra, assim como a rainha da Inglaterra autoriza, nada numa monarquia constitucional se faz sem sentido já que os poderes, por causa de um Poder Moderador ativo, são interdependentes mas se vê claramente a separação deles.
Não como aqui, e agora voltamos para os dias de hoje, aonde o Senado é a casa dos caciques dos partidos e a câmara é aonde os ranks menores ficam. O poderador existe justamente para evitar o desequilíbrio que o presidencialismo gera: aonde o Executivo, com a premissa populista de “democracia”, controla o governo e a chefia do estado que diretamente controla o Judiciário.

Tal concentração de poder leva a esses absurdos que vivemos hoje, a criação de um poder corporocrata paralelo que faz um borrão na divisão do privado e do público que já tem um borrão nas próprias instituições de governo, já que há o monopólio do poder Executivo.
Alguns sugerem o semi-presidencialismo como saída porém ainda haverá o problema de domínio do executivo só que agora não só em um mas em 2 cargos, então por questão econômica é mais fácil juntar as duas “empresas” e formar o conglomerado de uma vez.
Esse sistema já funciona na Sérvia, Ucrânia, Rússia, Síria e França e vemos que em casos como a França o presidente consegue uma imunidade imensa e tal modelo se reformarmos a política nesse molde, pelos interesses de tais classes vão puxar essas imunidades fazendo com que tal reforma seja um status-quo sem hífen, aonde você sabe que governo e estado estão juntos mas são separados meramente em palavras e ritos.

Na Espanha, em 2016, ocorreu uma grande crise política similar à nossa: O parlamento não formou as coalisões de oposição e governo, o nenhum partido se aliava ao outro, o que conseguiu maioria tinha uma série de escândalos de corrupção e se aliar com eles seria manchar a imagem do governo.
O Rei da Espanha, tendo terminado o prazo para formação das tais, dissolveu o parlamento e manteve um governo apontado por ele, baseado nos partidos que tiveram mais votos vendo cadidatos que não se envolveram com os citados escândalos.
Esse governo apontado não podia fazer leis nem aprovar, ele somente manejava o que ali estava e ficaram assim por 290 dias!
E ainda sairam às ruas, os espanhóis, comemorando: “Sem governo, sem ladrões”. E a Espanha não foi abalada por isso economicamente, sua subida para recuperação continuou e esse é um dos benefícios que mais precisamos, quando temos uma elite política caótica como a nossa: Um poder externo a esfera deles para dar continuidade em casos de crise.

Veja o que o Brasil sofreu com uma má administração, com um gridlock político porque a Presidente, na época, Dilma centralizava as decisões nela. Isso num parlamentarismo já poderia ser questionado e seria matéria de renúncia porque ela estaria atrapalhando o bom funcionamento do governo.
E ainda dentro somente do parlamentarismo, que não consegue ser perfeito por si só, há algo muito importante: debates semanais. Agora o parlamento britânico está dissolvido para eleições, porém se você for no canal do parlamento(pesquise no YouTube: UKParliament), é quase semanal as sessões de debate entre a oposição e o governo, e lá o que vale não é só a argumentação são as consequências de omissões e ações do governo. Porém não confunda, a questão história para o Parlamentarismo Inglês é passivo, coisa que aqui não funcionaria e funciona lá por motivos de ser uma situação diferente.

Aí nasce a necessidade na Monarquia Constitucional Parlamentar Brasileira que além de um chefe de estado Independente tem um conselho de Estado que está à serviço do Imperador para auxiliar o mesmo a exercer a coerção a atos de corrupção sendo composto por:

-Um procurador para cada estado;
-Ministro da Fazenda;
-Ministro do Comércio;
-Ministro da Guerra/Defesa.

Isso gera um equilíbrio entre os poderes que o atual Ministério Público só pôde começar a exercer com os abalos do executivo, que ocorreu com as investigações e sub-operações da Lava Jato.

Precisamos de um Poder Moderador forte e independente, que venha garantir o bom funcionamento da máquina pública e que seja um representante da moral do brasileiro e que sirva ao mesmo.
Querer a Monarquia Constitucional Brasileira não é dar um passo para o passado, se manter na república e querer retornar sempre 30 anos no passado, mantendo um ciclo vicioso que afeta a economia e todas as areas do nosso país.
A república se provou ao longo desses 128 anos um grande retrocesso, com suas crises cíclicas e desgoverno só prova o que Marechal Deodoro, seu fundador disse, antes de mudar de posição por questão política e depois se arrepender de ter feito não só a mudança de discurso pessoal mas de governo:

“O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela.”