Encaro

eu olho a vida de frente com rosto-peito-pelve-ombros-cintura em seus lugares, respiro estou de pé em mim-na vida. habito o espaço que toco entre mãos e olhos, pertenço a essa trama criação coletiva sopro na brasa que é humanidade. proponho boto coloco o corpo, a fala, o ser, o sonho na realidade espaço-tempo-fé-afeto. abro mãos-braços-sorrisos-boca-pernas-buceta e sei bem quando é tempo de fechar. danço também no ritmo daquilo que escuto: batidas do coração são tambores que movem meus pés em giros-saltos-rebolados-tropeços-passos. sangro. sou o avesso da morte vermelha vulva que gera a si mesma todo o mês. caminho com a firmeza das raízes que honro, e com a esperança flecha-certeira nas sementes que levo pra brotar. avanço entregue ao instante preciso desse caminhar.
