Aquele em que eu aprendi a fazer hambúrguer mas não a comprar carne no açougue

Porque calcular porcentagem de cabeça é pressão demais.

Graças à minha resolução de aprender a cozinhar, tenho entrado em contato com muitos ingredientes que antes não usava, como cúrcuma, cominho e noz moscada. Apesar de ser vegetariana há muito tempo, só recentemente passei a consumir um leque de verduras e legumes para os quais antes torcia o nariz ou desconhecia. Me familiarizar com a cozinha também me permitiu entrar em contato com outras formas de preparo de alimentos que já conhecia. Por exemplo, nos últimos meses tenho descoberto a versatilidade e quase infinitude da acelga. Dá para comer crua, assada, refogada, branqueada…E isso é apenas essa hortaliça. Como resultado direto disso, tenho ido muito mais à feira do meu bairro e minha família tem consumido muito mais hortaliças, legumes, verduras e frutas.

Surfando na empolgação de descobrir sabores novos, fiz meu primeiro hambúrguer vegetariano à base de legumes (antes só fazia com proteína de soja) e meu primeiro hambúrguer de carne. Como passei a maior parte da minha vida adulta sem consumir carne, imaginei que seria uma empreitada dificílima, repleta de frustrações, ingredientes caríssimos, um passo-a-passo complicado e, nesse caso específico, o Henrique Fogaça gritando “CINCO MINUTOS” no meu cangote.

deus me dibre

Eu estava errada em relação ao custo, ao menos em parte. Antes de continuar, vale ressaltar que as constatações que faço aqui dizem respeito à minha realidade e não são uma generalização. Por um lado, carne, especialmente a vermelha, está cada vez mais cara quando comparada à média do poder aquisitivo no Brasil. Por outro, muitas pessoas não têm o privilégio de optar por um estilo de alimentação ou outro.

Mais uma vez segui as orientações do site Panelinha. Apesar da receita ser bastante simples, Ritinha (#aquelas #MelhoresAmigas #íntima) recomenda garantir a proporção de 20% de gordura na carne pedindo “ao açougueiro que corte a gordura para calcularmos os pesos separadamente. Aí, sim, ele moi a carne com 20% de gordura.”. Pulei essa parte já que precisaria de duas habilidades que não tenho: mexer com porcentagem e saber escolher corte carne. Seria pressão demais. Me contentei em pedir para o açougueiro “dar uma limpada” e torcer para não passar vergonha.

Já em casa, superada minha pequena crise existencial, preparo os hambúrgueres de carne em menos de 10 minutos, guardo na geladeira, preparo um de hambúrguer de ervilha, batata doce e aveia. A ideia me veio à cabeça depois de fazer esse purê de ervilha e hortelã. Adaptei a receita adicionando um pouco de batata doce cozida e aveia para dar liga. Alguns dirão que é um misto de absurdo e afronta falar em hambúrguer vegano/vegetariano, então se você é um(a) desses(as), fique à vontade para chamar de “gororoba de mato”, ou como eu batizei, de “disquinho da felicidade”.

Todo trabalhado nos legume o rapaz

Tanto os hambúrgueres de carne como o vegetariano precisam do mesmo tempo na frigideira: seis minutos. Sigo as orientações de Rita Lobo à risca em relação ao ponto da carne e olha… Deu muito certo. Enquanto comia fiz algumas contas:

· Produtos usados nos três lanches:

- Pacote com 4 pães de hambúrguer (comprados na padaria, menos industrializados): R$ 5,20.

- Alface romana: R$ 3,00 uma cabeça inteira na feira, não usei nem de 1/5 ontem

·Ingredientes para hambúrguer de carne (essa porção rendeu 2 hambúrgueres médios)

- 400 gramas de fraldinha: R$ 9,85

· Ingredientes para hambúrguer de ervilha ou disquinho da felicidade (essas porções rendem 4 hambúrgueres médios)

- Pacote de 300 g de ervilha fresca congelada: R$ 4,39

- 1 batata doce média: R$ 1,04 (mercado)

- 1 pacote de 200 g de aveia: R$ 4,00

Apesar dos valores serem quase idênticos, a receita sem carne rendeu mais. Por outro lado, existem pessoas que se sentem mais saciadas com refeições com proteína animal. Moral da história: cada uma prepara o que preferir.

Uma crítica recorrente ao vegetarianismo ou ao veganismo é o suposto alto custo dos produtos e alimentos. É verdade que existem alguns, principalmente os industrializados e os orgânicos, mas o mesmo é válido para alimentos de origem animal.

O objetivo aqui não é entrar no debate sobre consumir ou não produtos de origem animal, acredito que dieta é algo pessoal e cada um sabe onde seu calo aperta. No entanto, vou passar a compartilhar aqui o custo dos pratos que preparo. Não vou contabilizar valores de temperos como sal, azeite, óleo, ervas, especiarias e afins já que são artigos que uso com frequência e não em apenas uma receita.

E para aqueles que desejarem ler mais a respeito de veganismo e vegetarianismo, seguem alguns links: