Delírios Noturnos

Tudo estava em paz. A Noite estava trocando de roupas quando deixou seu negro véu cair sobre o céu do cerrado. A lua costumava se maquiar e por isso, ela gostava dos tons vermelhos e brancos. Ela usava o pó branco de nuvens nos dias em que eu vinha vê-la e depois ela se cansava de expor sua beleza, buscando repouso nos platôs da Serra do Carmo.

A Lua é uma moça muito comportada que tudo viu, tudo vê e tudo ainda verá. Ela sempre soube quando era chegado o momento de surgir acima dos montes. Ela comprende sua natureza divina e perfeita como aquela que mais brilha quando a Noite deixa seu véu encobrir a luz do Sol.

Apesar da distância entre a Lua e a Terra, essa dama da noite possui muitos admiradores secretos. Dentre os muitos apaixonados, aqui estou eu. Sim, um louco que a ama mais do que a própria a mãe Terra. Mas como não amar alguém que somente posso ver quando a Noite decide usar um véu escuro com bolinhas brancas de estrelas? Como não amar a Lua quando ela veste seus vestidos costurados com nuvens vermelhas das cidades iluminadas? Como esquecer seu sorriso sempre tão branco e perfeito durante a miguante?

Foto tirado por Fábio da Costa Silva. A Lua

Quando a mãe Terra soube dessa paixão entre mim, um mero mortal, e o mais belo dos astros celestes, não pode controlar seu ciúmes. A Terra, desde então, tem escondido sua face com muitas cumulus-nimbos para que dessa forma eu possa esquecer aquela que sempre elevou meus pensamentos. Mesmo com todos os empecilhos, eu tenho o Vento como aliado, e ele sempre sopra em direção ao sul, levando consigo os vapores.

Lua dos apaixonados, a mesma lua de Adão e Eva é a mesma lua de Romeu e Julieta. Ela é aquela Lua que toma banho no pacífico, a mesma que encobre o sol e encanta às nações. Ó querida entre os amantes, tenha piedade desse ser confinado a somente contemplar sua face sem nunca poder ouvir sua voz.

Fique mais um pouco, prometo não mais pertubá-la com meus vãs delírios noturnos. Apenas fique onde está, pois muito em breve irei encontrá-la para que nunca mais você passeie sozinha pelas estradas da Via-Láctea.

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